Tese de candidatura vence em MG
Na semana que antecedeu a convenção do partido, os líderes do PMDB mineiro se colocaram na defensiva para garantir uma votação expressiva a favor da tese da candidatura própria. Pela avaliação dos líderes, os votos de Minas serão decisivos, pois o Estado tem o segundo maior número de convencionais e, junto com São Paulo, detém mais de 20% dos votos da convenção. Sua previsão é de que 90% dos convencionais mineiros devem votar pela candidatura própria, mas os líderes ainda temem pressões e ofertas por parte dos governistas na última hora.
Tarcísio Delgado, ex-secretário nacional do PMDB e prefeito de Juiz de Fora (MG), terra natal de Itamar Franco, enviou uma carta a convencionais do país inteiro, dizendo que o apoio ao governo no primeiro turno é suicídio político. Temos de ficar cautelosos porque conhecemos a força do poder econômico de outras votações, disse.
O deputado federal Armando Costa, presidente estadual do PMDB, avisou sua assessoria que a lista dos 57 convencionais mineiros, que têm direito a 74 votos na convenção, deve ser mantida em sigilo absoluto. Segundo a assessoria de Costa, foram os próprios convencionais que pediram o sigilo porque estariam sendo incomodados com telefonemas de pessoas pedindo seu voto na convenção para uma ou outra tese. A única lista, feita em 1995, se encontra atualmente no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, mas está defasada devido às trocas de partido ocorridas nos últimos três anos.
Newton Cardoso (foto), ex-governador de Minas e prefeito de Contagem (MG), também não divulga quantos convencionais são liderados por ele. Não é segredo, porém, que Cardoso está diretamente interessado no lançamento da candidatura de Itamar Franco à Presidência, limpando o caminho para seus planos de voltar ao governo estadual no ano que vem. Em Minas, ninguém assume que vá votar pelo apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso, embora o ex-senador Ronan Tito e três deputados federais sejam apontados como os representantes dos governistas em Minas. Para Tito, que tem direito a dois votos, a posição dos convencionais mineiros ainda não está definida, ao contrário do que afirmam seus correligionários. Ele defendia a realização de uma reunião da bancada mineira na véspera da convenção para discutir o assunto. (A.F.)





