Tese da independência vence convenção do PT
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domingo, 19 de dezembro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Antes mesmo de encerradas as discussões da Convenção Estadual do PT, realizada ontem em Curitiba, já era praticamente certo que o partido romperia com a aliança estadual com o PMDB firmada em 2002, quando Roberto Requião (PMDB) se elegeu governador, e que manterá uma posição de independência em relação ao Governo do estado. Um ponto de divergências, no entanto, referia-se à posição que o PT deveria tomar em relação aos membros do partido que ocupam cargos na administração estadual.
Uma ala significativa do partido, encabeçada pelo presidente estadual da sigla, André Vargas, defendia o rompimento com o governo. A saída seria uma resposta à deliberação do PMDB estadual, que votou pelo afastamento do partido da base do governo Lula.
''O caminho para o PT no Estado é manter uma posição de independência, até porque o governador tem atacado sistematicamente o governo, e esses ataques merecerão uma defesa constante'', justificou Vargas. O deputado federal Paulo Bernardo, sustentava posição semelhante. ''Não vamos ser oposição, mas também não somos mais da base aliada ao governador. Nossa orientação para a bancada estadual será para que os projetos do governo sejam analisados com boa vontade. Se não forem bons, votam contra, se forem de interesse da população, votam a favor'', disse.
Sobre os cargos ocupados por petistas, um dos argumentos era de que o PT não tem participação institucional no governo. ''O PT nunca indicou ninguém. Se há petista no governo, está por conta própria. Ele foi clandestinamente, não por decisão do partido. Foram escolhidos pelo governador'', disse Vargas, ressaltando que esperava que o bom senso prevalecesse e os petistas se afastassem do governo. ''Temos que construir um projeto de identidade própria do PT no Paraná, e de sustentação do govero Lula'', completou.
Com a saída de Daniel Godoy do cargo de assessor especial para assuntos do governo, o secretário estadual do Emprego, Trabalho e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, é o único petista a integrar o primeiro escalão do governo. Além de ser contra o rompimento entre PT e PMDB, o sercretário já afirmou anteriormente que, se houver um ultimato, deixaria o PT e continuaria no governo. Outro que pode ser forçado a abandonar a função que ocupa é o deputado estadual Natálio Stica, que atualmente é o líder do governo na Assembléia.


