Dos 26 lotes do Cemitério São Paulo (Zona Leste) que teriam sido adquiridos por laranjas do ex-vereador Orlando Bonilha (PR) em suposta licitação fraudulenta, em junho de 2006, ao menos oito já foram comercializados por R$ 5.600 cada um - quase o dobro do lance inicial de R$ 2.887 - por intermediação do ex-superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) Osvaldo Moreira Neto e a pedido do parlamentar. Essa é uma das conclusões da auditoria realizada no certame, pela Controladoria-Geral do Município, cujo relatório será apresentado hoje à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.
A concorrência pública realizada à época, pela Acesf, colocou na disputa 80 terrenos, mas, pelas investigações do controlador Milson Miríaco Dias e uma equipe de auditores, mais o Ministério Público (MP), 26 dessas áreas teriam sido compradas em nome de terceiros para supostamente beneficiar o ex-vereador. Anteontem, em depoimento ao MP, o ex-superintende da Acesf, o controlador da Câmara, José Alfredo de Paula Junior, e o vereador Rubens Canizares (PHS), à época diretor do Legislativo - todos, postos indicados por Bonilha - admitiram ter emprestado os nomes para que o então presidente da Câmara adquirisse os terrenos. Quatro ex-assessores e dois funcionários da Acesf também depuseram aos promotores Renato de Lima Castro e Leila Voltarelli, sobre o caso.
O controlador adotou discurso de cautela e preferiu não antecipar as constatações do relatório da auditoria feita na licitação. Dias não negou a comprovação de que oito terrenos teriam efetivamente sido vendidos pelo dobro do preço. ''Todos os vícios encontrados no processo licitatório serão repassados aos promotores'', disse. Indagado sobre a participação de funcionários da Acesf no suposto esquema, resumiu: ''Se a auditoria entender que servidores participaram da fraude, encaminharemos os nomes também à Corregedoria do Município''. Dias prevê para a próxima semana o relatório de outra parte da auditoria: a que analisa as denúncias referentes à oferta dos serviços de tanatopraxia.
Um dos promotores que investigam a suposta fraude admitiu ontem que segue sob análise documentação entregue na véspera por Moreira Neto, a qual teria relação com fatos atribuídos a ele ou a Bonilha, que não o atualmente investigado. Questionado se esse material desencadeará outras investigações, Renato Castro foi evasivo: ''Não gostaríamos de nos manifestar sobre isso por enquanto''. Questionado em coletiva sobre a campanha de mais de 30 entidades, lideradas pela Igreja, que quer barrar a cadidatura de pessoas investigadas, Castro admitiu: ''Como promotor e como professor de Direito, tenho absoluta convicção de que toda pessoa que vai disputar um cargo público deve ter uma vida absolutamente proba e honesta. Caso tenha qualquer mácula ou investigação, que procure a iniciativa privada''.
Bonilha e seu advogado, Ronaldo Neves, não atenderam ontem novamente as ligações da FOLHA.

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