Acúmulo de projetos do Executivo, para votação nas últimas sessões do ano no Legislativo, é motivo freqüente de críticas. Em dezembro de 2006, não foi diferente: a Prefeitura de Londrina apresentou 18 projetos apenas sobre doação de terrenos.
  Como resultado, aprovações apressadas, contrárias a pareceres técnicos e com informações desencontradas. O secretário de Governo, Adalberto Pereira da Silva, faz a ponte com a Câmara de Vereadores e diz que o acúmulo de projetos ocorreu por causa da greve dos servidores.

O acúmulo de última hora não prejudica a análise dos projetos? Em 2006, o líder do Executivo disse que votou com conhecimento superficial em algumas matérias...
  Eu não posso responder por ninguém. Quem sou eu? O fato é que tivemos um acúmulo de doações de terrenos porque os documentos ficaram presos durante a greve.

Essa pressa não leva a equívocos como na doação de 900 m2, avaliados em R$ 260 mil, na Gleba Palhano? O senhor alegou que seria para um empreendimento empresarial, mas a Câmara sustenta que será construído um prédio residencial...
  Eu não aleguei nada, apenas li o que estava escrito. Era para empreendimento imobiliário, não disse se indústria ou prédio. Eu não sei o que vai ser. Aquela área foi doada pelo loteador anos atrás, porém, como a prefeitura não ia mais usar, fez a devolução.

Esse terreno não poderia ser vendido pela prefeitura, ou transformado em área de lazer?
  O que daria para ser feito lá, não vou discutir com você. O caso é que é interessante que tenha o empreendimento, que aumente a arrecadação e gere empregos para cidade.

No Parque Waldemar Hauer há uma empresa que recebeu a doação de uma área de praça, com o agravante de que não cumpriu contrapartidas de doação anterior. Como vê esse caso?
  Não é área de praça, é Serviço Público Local (SPL). Além disso, a associação de bairro recebeu a área e nunca fez nada lá. Doamos 3 mil metros para essa indústria. Ou será que Londrina não está precisando de emprego?

E a rápida doação de 363 mil m2 para uma indústria de bateria, no patrimônio São Luiz? É a maior doação já feita em Londrina, não?
  É, e vai gerar 350 empregos. Da área total, um pouco menos da metade poderá ser utilizada, o resto é área de preservação e área quebrada.

Por que repassar a área de preservação e de encosta?
  Qual é a diferença de ficar com a prefeitura ou deixar com a empresa particular? O que é econômicamente mais viável? Nós não temos interesse em usar a área do São Luiz para criar uma área de lazer.

A permissão de uso não seria mais adequada como fator de atração de indústrias, com a vantagem de evitar a venda do terreno se a empresa fechar? No caso da Indústria Carambeí, por exemplo, o poder público está sendo obrigado a recomprar área doada lá atrás para permitir a ampliação do aeroporto.
  O futuro a Deus pertence. Não tenho essa capacidade de visualizar o que vai acontecer lá na frente. Sei que, no caso da Carambeí, de fato aconteceu, mas se vai acontecer novamente, desculpe-me, minha bolinha de cristal está queimada.

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