Terminam as filiações. PSDB forma a segunda maior bancada
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sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi o que mais cresceu no Congresso até ontem, último dia do prazo determinado por lei para a filiação partidária de candidatos às eleições de 1998. A briga das legendas para manter ou aumentar as bancadas foi intensa nesta sexta-feira. O PSDB, pelo menos temporariamente, conseguiu tirar do PMDB a posição de segunda maior bancada da Câmara. O prazo de filiações esgotava-se à meia-noite.
A vantagem foi obtida pela saída do deputado Anibal Gomes (CE) do PMDB e a filiação ao PSDB. O partido tem agora 96 deputados, e passou o bloco encabeçado pelo PMDB, com 95 deputados. Irritado com a saída de seus comandados (11 deputados nos últimos dias), o presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), acusou o governo de aliciamento agressivo, desrespeitoso e inaceitável junto à bancada federal.
Paes de Andrade garantiu que ainda ontem o PMDB voltaria a ter a segunda bancada na Câmara. As coisas estão mudando a todo instante, e até a meia-noite muita coisa pode acontecer, afirmou. Andrade, que conseguiu a filiação do ex-presidente Itamar Franco, aguardava para ontem a adesão de quatro deputados: Alceste Almeida (RR), Jorge Wilson (RJ), Cleomâncio Fonseca (SE) e Neif Jabour (MG), todos do PPB.
A infidelidade partidária também atingiu ainda os outros partidos aliados do governo, mas as perdas no PFL, PTB e PPB foram contornadas com outras adesões. O PFL, que tirou do PMDB o ministro extraordinário para Coordenação de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, nos últimos dias perdeu quatro deputados, mas ganhou outros cinco. Do PPB do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf saíram cinco e entraram seis deputados. Ao PTB, que ficou sem Paulo Cordeiro (PR), se filiaram três deputados.
Embora o prazo legal para os políticos - há exceção para militares e magistrados - tenha se esgotado ontem, os números oficiais das novas bancadas na Câmara só deverão ser conhecidos na próxima semana. Os partidos devem comunicar as novas filiações à Justiça Eleitoral até a segunda semana de outubro. Mas os candidatos terão de informar o antigo partido e o juiz da zona eleitoral em que estão inscritos sua filiação à nova sigla até segunda-feira.
O troca-troca de legendas nos últimos 20 dias também ocorreu nos partidos de oposição. O pequeno PPS, que contava com apenas dois deputados, ganhou outros quatro trazidos pelo ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, recém saído do PSDB. Dos novos filiados ao PPS, três migraram do PSDB, e um, o deputado José Augusto da Silva Ramos (SP), do PT.
O PSB do governador de Pernambuco, Miguel Arraes, também demonstrou folêgo, conquistando os tucanos rebeldes Almino Affonso (SP) e Domingos Leonelli (BA) e os peemedebistas José Pinotti (SP) e Gilvan Freire (PB). Ganhou também a adesão da ex-prefeita petista de São Paulo, Luiza Erundina, e do cantor Tim Maia, que anunciou sua pretensão de concorrer ao Senado. Já o deputado Lindberg Farias (RJ) deixou o PC do B e ingressou no PSTU. O governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz, que havia deixado o PT, filiou-se ao pequeno PV.
No Senado, o movimento foi menor. O PMDB foi o que mais perdeu, com a saída de três senadores nos últimos meses: João França (RO), para o PSDB, Ernandes Amorim (RO), para o PPB, e Gilberto Miranda (AM), para o PFL. A senadora Emília Fernandes deixou o PTB e ingressou no PDT, pelo qual pretende se candidatar ao governo do Rio Grande do Sul. Odacir Soares deixou o PFL e entrou no PPB.


