Nesta primeira semana para audiência de testemunhas de defesa do processo relativo à primeira fase da Operação Publicano, 42 pessoas arroladas pelos réus prestaram depoimentos, entre elas, 19 auditores da Receita Estadual de Londrina que não são investigados no suposto esquema criminoso de corrupção. Os servidores, embora tenham negado saber da existência ou sequer ouvido falar sobre a organização criminosa incrustada no órgão fazendário, segundo a denúncia do Ministério Público (MP), revelaram fatos importantes sobre o funcionamento da estrutura de fiscalização, na avaliação do promotor Jorge Barreto da Costa e do advogado Eduardo Duarte Ferreira, defensor do principal delator, o auditor Luiz Antonio de Souza.
"Ficou claramente demonstrado que a partir de 2013 centralizou-se a corrupção na Receita Estadual do Paraná, o que confirma os termos da delação do meu cliente", disse Ferreira, referindo-se à confirmação de que havia uma agenda fiscal feita em Curitiba, pela Inspetoria Geral de Fiscalização (IGF), responsável por listar as empresas que seriam fiscalizadas. O chefe deste setor, até a deflagração da Operação Publicano, era Márcio de Albuquerque Lima, que também já foi delegado em Londrina e é apontado pelo MP como líder da suposta organização criminosa.
"Isso ficou muito claro não pelas testemunhas de acusação, mas pelas testemunhas de defesa. Semana passada, eu alertava para os riscos de testemunha de defesa e eu acho que se consumou aqui um grande desencanto por parte dos advogados de defesa nesta semana", disse Ferreira.
Advogados consultados pela FOLHA preferiram não avaliar o resultado das audiências. Um chegou a dizer que "alguns depoimentos foram um fracasso". Outro, mais otimista, destacou o fato de que "nenhum sequer ouviu falar da tal quadrilha". Para Ferreira, a negativa geral não é relevante. "Os detalhes dos depoimentos é que são importantes e houve confirmação da nomeação política dos cargos, a centralização da agenda fiscal e o organograma da Receita, que propiciava o esquema, tal como o Luiz Antonio descreveu", avaliou o defensor.
Para esta segunda, foram convocadas 32 pessoas, mas, novamente, muitas devem ser dispensadas.

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