Termina hoje o prazo para o registro de candidaturas dos interessados em concorrer às eleições 98. A Justiça Eleitoral do Paraná faz plantão até as 19 horas, como determina a legislação. O clima era de tranquilidade ontem entre os partidos. Depois de diversos dias de indefinição, o governador Jaime Lerner (PFL) conseguiu retomar o controle da situação. Passou a manhã reunido no seu QG em Curitiba, para definir com os partidos da coligação qual será a linha de campanha. Bem como acertar os termos finais da ata que deve ser protocolada pelo PFL hoje, na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), constando apenas os nomes do governador e da vice-governadora Emília Belinati (PTB).
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Uma das indefinições que ainda rondavam o grupo era se o lançamento do empresário Tony Garcia, do PPB, não poderia comprometer o ‘‘acordo branco’’ feito entre Lerner e o candidato do PSDB ao Senado, ex-governador Álvaro Dias, através do presidente Fernando Henrique. Álvaro teria pelo segundo dia consecutivo disparado telefonemas da França para o Palácio Iguaçu e para o presidente nacional do PPB, ex-prefeito Paulo Maluf. Desta vez, a pressão não teve êxito imediato. O grupo de Lerner deixou a cargo do PPB a decisão de lançar ou não o empresário. ‘‘Não interferimos em decisões de outras siglas’’, declarou o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, cuja participação foi decisiva para o fechamento dos acordos, nos últimos dias.
O presidente do PPB, José Janene, garantiu que o registro de Toni Garcia se concretiza hoje. Os pepebistas não escondem a mágoa com Álvaro Dias, que durante meses ensaiou uma coligação. ‘‘Vamos levar esta candidatura até o fim’’, deixou claro Janene. Segundo ele, Toni Garcia pode se transformar numa ameaça política ao ex-governador, já que a eleição é polarizada. Preocupado com as ligações de Álvaro para o comando nacional do PPB, Garcia passou o dia ontem em alerta. ‘‘Sou candidato até o fim’’, prometeu.
O ex-governador Paulo Pimentel (PFL), escanteado por Lerner na composição da chapa majoritária, deu entrevista para a rádio CBN em Curitiba, ontem. Pimentel declarou que agora está ‘‘completamente fora da política do Estado’’. Ele recusou a oferta do governador de concorrer ao Senado pelo grupo. ‘‘Eu desconhecia completamente este acordo com o Álvaro (Dias). Podiam ter sido mais claros comigo’’, afirmou o ex-governador. Pimentel disse ainda que não pode responder neste momento se vai apoiar ou não a reeleição do governador. ‘‘Seria precipitado’’, disse em tom de mágoa.
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Aníbal Khury (PFL), decidiu retirar-se no final de semana para descansar. Foi para sua chácara na região metropolitana de Curitiba. Ele declarou que está fora das negociações políticas da coligação e que o desfecho dos desentendimentos com o ex-governador Paulo Pimentel cabe aos partidos.
O candidato do PMBD ao governo, senador Roberto Requião, disse ontem que seus advogados vão estudar a possibilidade de ajuizar pedido de nulidade contra a chapa remontada pelo governador. Segundo o senador, a autonomia dos partidos não delega poderes para que as executivas mexam na composição depois do dia 30 de junho, prazo final para as convenções partidárias. ‘‘Não tenho certeza, mas acho que poderia só se tivesse havido renúncia’’, ponderou.

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