Arquivo FolhaEquilibristaCalheiros: ex-rebelde e amigo de Paes de Andrade, mudou de lado sem ser acusado de traiçãoA nomeação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para o Ministério da Justiça permitiu que o presidente Fernando Henrique Cardoso encerrasse as complicadas negociações com o PMDB na reforma ministerial e ainda resolvesse vários problemas políticos. Além de Renan, que foi líder do governo Collor na Câmara, o PMDB mantém o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) no comando dos Transportes e o secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão (PMDB-PB).
Não é por acaso que Fernando Henrique optou pelo senador alagoano, diante da lista sêxtupla de senadores peemedebistas que a própria cúpula do partido tratara de lhe entregar na noite da véspera. A escolha de Renan abre caminho para a candidatura do presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela, ao governo de Alagoas, facilita a candidatura do senador pefelista Guilherme Palmeira (AL) ao Senado, e, de quebra, ainda produz efeitos positivos na difícil costura da unidade do PMDB.
Além de se ajustar ao perfil de bacharel em Direito que governo e partido queriam para o comando da Justiça, Renan tem o respeito e o apreço dos rebeldes do PMDB que ainda insistem na candidatura própria ao Palácio do Planalto. Durante todo conflito com os governistas que lutavam pelo apoio dos convencionais do PMDB à reeleição de Fernando Henrique, a ala do candidato próprio ouviu as ponderações de Renan e fez dele o interlocutor do grupo junto à cúpula aliada ao governo. Renan sempre frequentou o gabinete do presidente rebelde do partido, Paes de Andrade (CE), onde era tratado como ‘‘um dos nossos’’, e saiu da disputa de bem com o governo e sem a pecha de traidor.
O Ministério da Justiça tira Renan da disputa pelo governo de Alagoas, que ele já tentara e perdera em 1990. Foi derrotado por Geraldo Bulhões, eleito com o apoio do ex-presidente Fernando Collor, o aliado com quem Renan mais contava para chegar ao Palácio dos Martírios e com quem acabou rompendo.
‘‘Encerramos com chave de ouro nossas conversas com o Planalto’’, comemorou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), ao salientar que a reforma ministerial serviu para mostrar que o PMDB tem coesão e tem comando. A direção nacional do partido também considera encerrado o episódio da crise entre Planalto e o líder no Senado, Jáder Barbalho (PMDB-PA). O líder desistiu de pleitear o comando do Ministério da Justiça que o PMDB estava disposto a bancar para pôr fim aos rumores do veto palaciano a seu ingresso na equipe ministerial. Preferiu disputar o governo do Pará e ser o homem do PMDB no comando da campanha da reeleição e das negociações com o Planalto.

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