Curitiba - Terminou em tumulto a sessão da Assembléia Legislativa realizada ontem para ouvir o gerente executivo do Ibama em Curitiba, Marino Gonçalves. Gonçalves foi duramente criticado pelos deputados ligados a ruralistas do Estado, que são contra a criação de cinco unidades de conservação ambiental no Paraná. Os deputados acusaram Gonçalves de se esquivar dos questionamentos feitos à política de desapropriação de terras do Ibama e a queda na arrecadação e nível de emprego nos municípios englobados pela proposta de preservação.
O deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB), dono de uma madereira em Imbituva (município atingido pela proposta do Ibama) foi um dos críticos mais contundentes ao discurso de Gonçalves. ''Ele vem até a Assembléia apresentar um cenário de conto de fadas de turismo ambientalmente sustentável e apenas enrolou quando apresentamos questionamentos sobre a realidade das regiões. O governo federal quer empurrar goela abaixo uma proposta de preservação que atinge produtores e gera desemprego'', criticou Rossoni.
Durante a maior parte de seu depoimento Gonçalves ressaltou a necessidade de se preservar a mata nativa no Estado, e minimizou o impacto da criação dos parques no Estado. ''Os 96 mil hectares atingidos não representam nem um milésimo da área do Estado. Além disso, metade dessa área já é de propriedade dos governos estaduais e federais. Apenas 58 proprietários particulares serão atingidos, e eles serão indenizados pelas suas terras pelo valor do mercado'', afirmou Gonçalves.
O nível da discussão, que já era agressivo, começou a deteriorar ainda mais passadas duas horas no início da sessão. A presidente interina da Assembléia Legislativa Arlete Caramês não conseguiu conter os ânimos dos deputados, que gritavam simultanemante ao microfone.
Para piorar o quadro, dezenas de representantes de proprietários e empregados dos bares começaram a fazer barulho nas galerias, pedindo o início da votação dos projetos na pauta. Dentre os projetos estavam três propostas que proíbem a venda de bebida alcóolica em estabelecimentos comerciais após as 2 horas, que os manifestantes queriam ver rejeitados.
Acuada pela balbúrdia, Arlete decidiu suspender a sessão de ontem marcando outra para hoje, dia em que tradicionalmente não se realiza sessões na Assembléia. Caso a sessão efetivamente ocorra, os projetos devem voltar à discussão hoje. Se não houver quórum o que é provável os projetos devem ser votados apenas na próxima segunda-feira.

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