''Em Londrina, a tendência de terceirizar os serviços da Prefeitura é irreversível'', alegou ontem o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias. A afirmação fez par à avaliação de Dias sobre os mais de R$ 259,777 milhões dedicados em 2006 ao pagamento de fornecedores e empreiteiros - valor que representa pouco mais 53% do orçamento de R$ 484 milhões executado. ''Não é alto. Há muito tempo que não se contrata funcionários (por concurso) para os setores terceirizados, e, além do mais, geramos empregos dessa forma'', opinou.
Para o secretário, a ''geração de novos empregos'' seria inviável por meio de concurso público em função dos gastos que, defende, são superiores em caso de servidor efetivo. ''Se a Prefeitura pode contratar pessoas especializadas por um preço bem menor, vejo que a terceirização é um caminho irreversível'', defendeu.
Desde a terceirização da merenda das escolas municipais, em 2006 - a um custo anual de R$ 3,8 milhões -, o secretário vem argumentando que essa forma de contratação economiza recursos públicos. Números fechados do quanto efetivamente se guardou nos cofres municipais, contudo, ele não tem. ''Mesmo assim, economizamos R$ 60 mil mensais com a nova vigilância, e cerca de R$ 120 mil mensais com a tercerização da limpeza. Não podemos deixar a cidade sem a prestação dos serviços'', minimizou. Valores? ''Há um estudo em andamento'', resumiu.
Uma vez que não são divuilgados dados - seja da economia gerada, seja do volume de empresas e contratos firmados -, a reportagem perguntou ao secretário por que, como sugerido pela diretora do TC-PR, não são feitos cortes na máquina que possibilitem a contratação de pessoal efetivo necessário para o atendimento à população. ''Esta até seria uma alternativa, mas ela é praticamente impossível a curto prazo'', eximiu-se, negando sem seguida que falte planejamento. ''Herdamos a coisa dessa forma.''
O controlador-geral do Município, Sinival Osório Pitaguari, afirmou que o processo de terceirização ''nas bases de apoio'' deverá ser mantida, apesar do entendimento do TC. ''Eles são contra toda terceirização, mas isso é necessário porque a LRF limita nossos gastos com pessoal'', sustentou. ''Mas as atividades-fim na saúde, hoje terceirizadas (Programa Saúde da Família e agentes de controle de endemias), serão adequadas ao longo desses meses, até o inverno, a diretrizes que recebemos no final de 2006, ou mesmo às orientações do TC '', garantiu. A referência do controlador é aos R$ 6,13 milhões de terceirizações que, conforme a última prestação de contas quadrimestral, entrou no cálculo de gastos com folha. (J.G.)

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