O atraso no pagamento de salários levou os 32 funcionários responsáveis pela limpeza do Terminal Urbano de Londrina a paralisarem os serviços nesta terça-feira. Eles são contratados pela empresa Irineu Picinini Consultoria Trabalhista - que venceu licitação realizada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para executar o serviço. O contrato, no valor de R$ 57.811 por mês, tem validade até abril deste ano. Segundo o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação de Londrina e Região (Siemaco), os funcionários ainda não receberam o pagamento relativo a dezembro.
''Desde agosto está havendo atraso. Eles acabam pagando, mas sempre depois do quinto dia útil. Agora chegou no limite e nós resolvemos paralisar em protesto contra essa situação'', afirmou a diretora do Siemaco, Maria do Rosário Cassula.
A situação é semelhante à que ocorre na empresa Tolimp, que tem contrato de R$ 632 mil mensais para executar a limpeza de órgãos públicos municipais. O atraso no pagamento dos 517 funcionários da Tolimp levou a prefeitura a instaurar um procedimento disciplinar que pode culminar com o cancelamento do contrato. A Tolimp e a Irineu Picinini são controladas pelo grupo Work Limp, que tem sede em Marechal Cândido Rondon (90 km de Cascavel).
A falta de limpeza no Terminal era visível na parte da tarde. O lixo espalhado pelo chão, as bitucas de cigarro e o acúmulo de papéis nos banheiros foram alguns dos reflexos do protesto. Em conversa com a imprensa, os funcionários se mostraram revoltados com a situação.
No Terminal, a carga horária é de oito horas, além de uma hora para refeição. O serviço é dividido em três turnos - das 6h às 15h, das 15h à 0h, e da 0h às 6h. O salário médio é de R$ 432.
O diretor de Transportes da CMTU, Wilson de Jesus, informou que a empresa foi notificada a regularizar a situação até o início da noite sob pena de cancelamento do contrato. ''Mas acredito que isso não vai acontecer. A empresa está em vias de fazer o pagamento'', afirmou.
O procurador do Município, Nilso Paulo da Silva, estava em Curitiba ontem e desconhecia o caso da empresa que presta serviço no Terminal. Sobre a Tolimp, ele afirmou que o contrato de terceirização será o primeiro a passar por um pente fino - a exemplo de outros contratos celebrados na administração do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT).
O superintendente regional do Ministério do Trabalho no Paraná, João Graça, informou que a Tolimp está passando por fiscalização trabalhista na cidade sede e no escritório de Londrina. O grupo Work Limp não se pronunciou ontem sobre o assunto.

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