Terceirização convive com falta de fiscalização
O processo de terceirização de serviços públicos tem sido acompanhado, nos últimos anos, por um problema que raras vezes recebe a atenção necessária do poder público: a falta de fiscalização dos contratos. O contrato de terceirização da merenda, por exemplo, no valor de R$ 7,8 milhões - que atende 100 escolas e outras 30 unidades entre hospitais e postos de saúde, servindo 830 mil refeições por mês - é fiscalizado por duas funcionárias da Secretaria de Gestão Pública, sem formação na área nutricional. Na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), a responsabilidade pela fiscalização de seis contratos de limpeza pública, que custam aproximadamente R$ 19 milhões anuais, cabia a apenas uma pessoa até o início de 2009 - são serviços que cobrem da limpeza de lagos e varrição urbana à coleta de lixo (comum e reciclável), operação do aterro sanitário e capina de terrenos públicos. O resultado disso é a manutenção precária dos serviços, falhas de execução e denúncias de irregularidades.
O diretor de Operações da CMTU, Luis Paulo Bombassaro - que assumiu o cargo em janeiro -, disse que não conseguiu detectar qualquer sistema de fiscalização da qualidade dos terceirizados. Tinha o funcionário que analisava documentos, mas fiscalização de campo é ir para as ruas ver de que maneira serviço está sendo feito, disse. Um exemplo de descaso, segundo Bombassaro, era a fiscalização da varrição urbana. Uma pesquisa realizada nas últimas semanas verificou que diversas ruas que deveriam passar por duas varrições semanais estavam há meses sem o serviço.
Em razão dos problemas, o presidente da CMTU, Paulo Renato Carvalho Matiuz, designou seis funcionários para fiscalizar os contratos de terceirização. Temos agora uma pessoa para cada dois contratos e com missão de campo. Vamos começar a adquirir equipamentos de medição e disponibilizar meios de transporte para eles, afirmou. Matiuz e Bombassaro acreditam que a estruturação de um sistema de fiscalização já está levando as empresas a se mexerem.Certamente elas já estão mais preocupados com o serviço e algumas melhorias começam a ser sentidas, disse Matiuz.
Na prefeitura, a escassez de fiscais é confirmada pela diretora de Licitações da Secretaria de Gestão Pública, Maria Aparecida Marques Lima. De acordo com ela - que é funcionária de carreira -, a falta de profissionais alcança também o acompanhamento dos contratos de compra direta de serviços e produtos. Para fiscalizar todas as licitações, entre terceirizações e aquisições, o município conta com apenas 12 fiscais. No total, são quase mil contratos. A gente já pediu a contratação de mais dez profissionais, mas isso ainda não aconteceu, afirmou. Estimativas consideradas modestas apontam para a necessidade de pelo menos 25 fiscais.
Sobre a terceirização da merenda escolar, ela também afirmou que faltam fiscais porque se trata de um contrato muito complexo. Quando há denúncias, tem que ser fiscalizada na hora e nem sempre temos essa disponibilidade. Para Maria Aparecida, a secretaria também carece de profissionais com formação específica na área nutricional para melhorar o serviço. (F.C.)





