Teólogo diz ser positiva a participação
''Para oferecer propostas à sociedade, o religioso tem que estar inserido nela. Só pela igreja, ele não dá conta mas é impossível dissociar as duas coisas, uma vez no poder.'' A opinião é somente uma das que sustentam a posição do professor de Teologia em Londrina e mestre pela doutrina no Brasil e nos Estados Unidos, Ênio Caldeira Pinto, 35. O teólogo acredita que é positiva a participação de padres ou pastores em cargos públicos eletivos, uma vez que, avalia, são missões complementares.
Para Caldeira Pinto, que vê a política como ''um instante de proclamar os direitos de Deus e como o conhecimento dado por Deus para a humanidade restaurar os valores do direito e da justiça em uma comunidade'', nada mais normal que líderes de quaisquer igrejas adentrem um terreno dominado por partidarismos e, em muitos casos, interesses pessoais. ''A função dele será a de ser uma espécie de luz que mostre valores de justiça e integridade; é uma tarefa a mais.''
A respeito do estudo teórico para a formação religiosa em geral, no mínimo os quatro anos da Faculdade de Filosofia , o teólogo acredita que o grande inimigo na vida pública para esse tipo de candidato é a massificação. ''Muitos são convertidos a um sistema não eficaz para a transformação da sociedade, e os religiosos também sujeitos a esse processo. Por isso que os cursos de teologia têm de ser constantamente atualizados'', opinou.
Atualização da qual, por sinal, depende a não manipulação do eleitorado. ''A pessoa segue o líder religioso. Se o tal é bem informado e tem bom conhecimento sobre política, a influência que exercerá adiante será benéfica. Se ele é alheio, pode prejudicar. Ao se comprometer tanto, tem que avaliar isso''.
Caldeira Pinto voltou mês passado de mais uma temporada de pesquisas em teologia nos EUA. De acordo com ele, o envolvimento de religiosos com a política é bem mais natural na nação norte-americana.
No caso do Brasil, o teólogo vê com bons olhos a tendência de crescimento no número de líderes religiosos que pleiteam e, diversas vezes, ocupam cargos na política pública. ''Acho bom porque, de uma certa maneira, ele se envolve e sofre as consequências do mundo que está crescendo'', apontou. ''Além disso'', acrescentou, ''o Censo 2000 mostrou que o grupo dos sem religião é o que mais cresce hoje, e provavelmente com gente que está decepcionado com a política. Talvez essas candidaturas sejam uma esperança ou uma forma de reverter esse índice''. (J.G.)





