Tentativa de votação de contas de Suruagy acaba em tumulto
Tentativa de votação de contas
de Suruagy acaba em tumulto
A tentativa de votação das contas do ex-governador de Alagoas Divaldo Suruagy (PMDB) referentes a 1996 terminou em tumulto, ontem pela manhã, na Assembléia Legislativa. Mais uma vez, a Praça D. Pedro II, em frente do prédio legislativo, foi transformada em praça de guerra.
Tiros, socos e pontapés. Este foi o saldo da sessão, cuja votação foi adiada para quarta-feira. O pedido de adiamento foi feito pelo deputado João Caldas (PMN), depois que a oposição foi derrotada por 17 a nove, na apreciação de um requerimento propondo que dois parlamentares, ex-secretários de Suruagy, ficassem de fora da votação das contas. Todos os 27 deputados participaram da sessão.
No plenário, durante um intervalo de cinco minutos, o deputado Cícero Ferro (PTB), ameaçou sacar a arma, após agredir com socos e pontapés o ex-deputado federal Mendonça Neto (PDT), que acompanhava a sessão. A briga começou quando Ferro chamou Mendonça Neto de cabra safado, sem credibilidade. Mendonça Neto pediu calma ao deputado, mas foi agredido e só não apanhou mais porque os parlamentares da oposição seguraram Ferro. Reaberta a sessão, o presidente da Casa, João Neto (PSDB), atendeu ao pedido de Caldas e suspendeu a votação das contas de Suruagy por duas sessões.
Enquanto, no plenário, os deputados da oposição discutiam com os partidários de Suruagy se a votação das contas seria aberta ou secreta, na praça em frente da Assembléia, o clima era tenso e se agravou com a chegada de dezenas de simpatizantes do ex-governador. O confronto entre manifestantes pró e contra Suruagy foi inevitável. Os mastros das bandeiras das duas facções foram usados como armas. Na confusão, policiais civis que participavam da manifestação deram tiros para o alto. Ninguém foi baleado. Um grupo de três manifestantes foi preso e libertado em seguida _ um militante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), outro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e um simpatizante de Suruagy.
O conflito só não terminou em tragédia porque a Polícia Militar dispersou a multidão, usando a Tropa de Choque e a Cavalaria. Desde o início da manhã, a PM, sob o comando do coronel Rubens Goulart, interditou as ruas que dão acesso ao prédio da Assembléia. (AE)





