Tentativa de punir Nedson acaba em tumulto na Câmara
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quarta-feira, 08 de novembro de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Dez vereadores da base aliada ao Executivo rejeitaram ontem um requerimento que, se não respondido pela administração em no máximo 48 horas, poderia servir de base para uma ação futura de infração político-administrativa contra o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT). O documento indagava o prefeito sobre a formação de uma comissão permanente de negociação pelo fim da greve, mas a votação que o arquivou rendeu uma das sessões mais tumultuadas na história do Legislativo londrinense. Policiais militares tiveram de escoltar a saída de alguns parlamentares, já que as duas saídas do prédio foram fechadas por servidores grevistas.
O clima esquentou já a partir do Plenário, com bate-bocas entre o presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL), e vereadores da oposição. Um grupo de 12 edis defendia que, ao invés de requerimento, fosse remetido a Nedson um pedido de informações que tratasse da indicação dos nomes para a comissão. Com isso, a administração teria prazo legal de 15 dias prorrogáveis para até 30 para responder à Câmara. Com o requerimento liderado por Sandra Graça (sem partido), não apenas seriam só dois dias de limite, como ficaria caracterizado ''que, em caso de resposta negativa ou não nomeação, estará documentalmente caracterizado e tipicado formal e materialmente a infração político-administrativa descrita na Lei Orgânica do Município, no Código Ética e Decoro Parlamentar e no decreto lei lei federal 201/67'' - o mesmo decreto que embasou a cassação de Antonio Belinati (PP), em junho de 2000.
Pouco antes da confusão, o assessor jurídico da Casa, Paulo Anchieta, explicara que ações de infração político-administrativa teriam de se basear em omissão deliberada do administrador no cumprimento do Estatuto do Servidor, que prevê a comissão permanente de negociação. Mesmo assim, Anchieta ressalvou: ''Como o Estatuto não estipula prazo para o prefeito formar esse grupo, é a Câmara quem precisaria defini-lo''.
A formulação do pedido de informações rendeu uma longa suspensão da ordem do dia, com os 12 autores reunidos a portas fechadas na sala da Presidência. Em Plenário, o pedido de urgência pela medida arrancou gritos de protesto e batidas no chão vindos das duas galerias lotadas. Durante a condução da votação, Bonilha se exaltou ao microfone por mais de uma ocasião, respondendo aos berros a Marcelo Belinati (PP), defensor do requerimento. ''Até como médico, estou vendo que o senhor está muito nervoso'', ironizou Belinati. ''Sou açougueiro. Não sou babá do prefeito'', retrucou Bonilha.
A pressão dos grevistas surtiu efeito nesse caso - os autores da medida solicitaram a retirada definitiva de pauta. A expectativa da categoria, entretanto, seria diluída na sequência: levado a votação, o requerimento não apenas teve negada a votação nominal, como ainda foi rejeitado. Votaram contra o requerimento Marcos Defreitas (sem partido), Osvaldo Bergamim (PMDB), Sidney Souza (PTB), Tercílio Turini (PPS), Gláudio Renato de Lima, Maria Ângela Santini e Lourival Germano (PT), Roberto Kanashiro (PSDB), Flávio Vedoato (PSC) e Jamil Janene (PL). Favoráveis: Sandra Graça (sem partido), Marcelo Belinati e Renato Araújo (PP), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Roberto Fu (PDT). Renato Lemes (PL) estava ausente no momento da votação; Henrique Barros (PMDB) não compareceu à sessão.


