Tentativa de CPI é ridícula, diz Lerner
Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) classificou de ridícula a tentativa da oposição de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o crescimento do endividamento do Paraná, proposta respaldada pelo ex-governador e senador Alvaro Dias (PSDB). Não vejo necessidade alguma de CPI, disse Lerner, colocando o seu governo à disposição para o esclarecimento de eventuais dúvidas.
Obviamente é um jogo político dos deputados de oposição. As informações estão sendo dadas. Isso não é objeto de uma CPI. É ridículo, complementou o governador, em tom de irritação, ontem, depois da assinatura de protocolo de intenções entre os Estados do Sul, Ministério do Esporte e Turismo, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para a obtenção de recursos para o desenvolvimento do turismo. Sem citar nomes, Lerner disse que herdou do governo anterior ao seu primeiro mandato (o de Roberto Requião) rombo de R$ 5 bilhões devido conversão de 55 mil servidores do regime CLT para o Estatutário. O que, segundo o governador, agravou o déficit previdenciário do Estado.
As declarações de Lerner foram concedidas pela manhã. À tarde, estava em curso na Assembléia Legislativa manobra do líder do governo na Casa, deputado Valdir Rossoni (PTB), para suspender a ida do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, agendada para o próximo dia 11. O secretário foi convocado pelos deputados em agosto passado, para prestar em plenário esclarecimentos sobre as finanças do Paraná.
Nos bastidores, corre a versão de que suspensão foi solicitada pelo próprio secretário, que não estaria disposto a comparecer na audiência com os deputados sem antes ter em mãos um desfecho da antecipação dos royalties de Itaipu. O Gionédis não quer se expor à toa, contou à Folha uma fonte ligada ao governo ontem.
A oposição está banalizando o problema do endividamento público do Paraná. Os deputados não estão nem aí em esclarecer essa questão, querem apenas complicá-la ainda mais, justificou Rossoni ontem. A bancada governista se reúne na próxima segunda-feira para a analisar se apresenta ou não requerimento revogando a convocação de Gionédis, respaldada com o voto unânime dos aliados de Lerner à época.
Alguns governistas, integrantes do que ficou conhecido na Assembléia como o Bloco dos 21, pela rebeldia com a crise de caixa, prometem dificultar os planos do líder do governo. Querem que o secretário da Fazenda compareça em plenário na data estipulada. O grupo tem interesse direto em destrinchar as finanças do Estado. Da saúde financeira do Paraná depende o cumprimento das promessas feitas as suas bases.
O líder do PMDB, deputado Orlando Pessuti, disse ontem que a oposição está atenta às manobras de Rossoni e que o grupo continua atrás de assinaturas para a instalação de uma CPI para apurar o endividamento do Estado que, segundo a oposição, chega aos R$ 12 bilhões, incluindo o socorro de R$ 5 bilhões para a privatização do Banestado.





