Tentativa de acordo causa rebelião tucana no Senado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Agência Folha De Brasília 
PSDB e PMDB tentaram dar um golpe na candidatura do deputado Inocêncio Oliveira (PFL-PE) a presidente da Câmara, lançada ontem, e acabaram provocando rebelião tucana no Senado e novo confronto com o PFL. Simultaneamente ao ato de lançamento do nome de Inocêncio pelo PFL, as cúpulas do PSDB e do PMDB anunciaram um acordo para dividir entre eles as presidências das duas Casas e alijar o PFL do processo.
Como os parlamentares dos dois partidos não foram consultados, houve uma reação negativa ao acordo, que pode comprometer as candidaturas do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) no Senado e na Câmara, respectivamente. O líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), afirmou que PSDB e PMDB pisaram no acelerador, atropelando as negociações que começaram a ser feitas agora em torno da sucessão no Congresso. No mínimo, eles foram precipitados. Não são duas Casas geminadas, afirmou.
O líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE), foi forçado a cancelar reunião com a bancada que havia marcado para formalizar o entendimento feito na Câmara pelos líderes Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Aécio. Não tem mais reunião, porque todo mundo ficou contra, disse Artur da Távola (PSDB-RJ). Eles (os líderes) foram precipitados. Temos preocupação com a base governista, afirmou Lúcio Alcântara (PSDB-CE).
A reação tucana foi interpretada como rejeição à candidatura de Jader. Alguns senadores do PSDB não querem dar apoio prévio ao presidente do PMDB. O presidente do PSDB, senador Teotonio Vilela Filho (AL), e Aécio evitaram vincular diretamente o apoio tucano à candidatura de Jader. Segundo eles, o apoio será ao candidato que o PMDB ainda escolherá.


