Tenso, Lerner não fala do futuro
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Sucursal de Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PDT) e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), disputaram ontem a atenção do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que ficou de saia-justa durante toda a posse da nova diretoria da Telepar. Durante quarenta minutos, enquanto o ministro fazia o seu discurso, Álvaro e Lerner ficaram lado a lado sem trocar uma palavra.
Lerner tentou ser mais sociável. Não bateu palmas, mas deu um parabéns ao seu adversário pela indicação ao cargo federal. Cumprimentou a mulher e filhos do ex-governador Álvaro Dias e saiu da cerimônia tenso, não querendo dar nenhuma declaração sobre o seu futuro partidário aos jornalistas. Para reforçar a sua presença, o Palácio Iguaçu convocou os deputados da base governista, a vice-governadora Emília Belinati e o vice-prefeito de Curitiba, Algaci Túlio, para acompanhá-lo.
Aos jornalistas, o governador só confirmou o convite feito pelo presidente do PTB do Paraná, Nelson Justus, formalizado pela manhã, e prometeu um pronunciamento definitivo ainda nesta semana. A Telepar é um órgão importante, razão por eu estar aqui, disse Lerner, para fugir dos assédios sobre o próximo passo político dele.
O ex-governador Álvaro Dias foi mais direto. Não se dirigiu ao governador Jaime Lerner e sempre que pode, partiu para o ataque. Sob os olhos atentos dos tucanos contrários ao ingresso de Lerner, o ex-governador disparou as suas críticas já no discurso de posse. Álvaro deu nova versão aos ataques feitos pelo ministro Sérgio Motta contra Lerner, há cerca de três meses. O ex-governador disse que a administração do presidente Fernando Henrique é real e não virtual como a do Paraná. Motta tinha definido o governo Lerner como virtual.
Depois da coletiva de Motta, Álvaro voltou ao ataque. Desta vez, comparou a entrada de Lerner no PSDB a uma hipotética filiação do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia ao PSDB. Nem o presidente Fernando Henrique, nem o ministro Sérgio Motta gostariam disso, afirmou. Na semana passada, a referência de dicotomia entre Lerner e o ninho tucano usada por Álvaro Dias foi a hipotética atração do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) para o lado do presidente da República. (L.D.)


