Vereadores afastados Mario Takahashi e Rony Alves acompanharam depoimentos e voltaram a rebater acusações das testemunhas
Vereadores afastados Mario Takahashi e Rony Alves acompanharam depoimentos e voltaram a rebater acusações das testemunhas | Foto: Saulo Ohara


Em um clima de muita tensão, em que até chegou a ser dada, sem sucesso, voz de prisão a uma testemunha, foi iniciada nesta sexta-feira (6) a primeira fase das oitivas da Comissão Processante aberta pela Câmara Municipal com o objetivo de investigar a conduta dos vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). Ambos são réus em ação movida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) por causa de suposto esquema de corrupção na elaboração e aprovação de projetos de mudança de zoneamento no município.

Quatro testemunhas foram ouvidas. O depoimento mais longo (uma hora e meia) foi do agricultor Junior Zampar, considerado testemunha-chave, e suposta vítima do esquema deflagrado pela Operação ZR3 do Gaeco. Zampar não foi acompanhado por um advogado e saiu sem falar com a imprensa.

O segundo a ser ouvido foi Carlos Zampar, primo de Junior, que também aparece no processo criminal como testemunha de acusação. O servidor público Ossamu Kaminagakura (ex-diretor de Loteamentos da prefeitura) ficou apenas cinco minutos e não respondeu às perguntas dos vereadores. Luiz Guilherme Alho (ex-membro do Conselho Municipal da Cidade), suposto lobista, também depôs por cerca de uma hora. Além de serem testemunhas, Alho e Kaminagakura, assim como os dois vereadores afastados, são réus na ação penal que corre na 2ª Vara Criminal de Londrina. O empresário e professor Cleuber Moraes (ex-membro do CMC), outro réu na ação, foi o único que não compareceu. Takahashi e Alves acompanharam todos os depoimentos com seus advogados.

O agricultor Junior Zampar, considerado a testemunha-chave da operação, preferiu não falar com a imprensa após depoimentos
O agricultor Junior Zampar, considerado a testemunha-chave da operação, preferiu não falar com a imprensa após depoimentos



Desqualificação

Os únicos a conversarem com a imprensa foram justamente os dois vereadores e seus advogados. Todos alegaram que os depoimentos dos agricultores Júnior e Carlos Zampar são contraditórios e chegaram a chamar Junior de "mentiroso" diversas vezes. "Obviamente, um depoimento desse, gravado de forma oficial, demonstrando claramente que a única pessoa que insinua que eu pedi vantagem, é desmentido pela única testemunha que ele mesmo arrola. Ou seja, ele (Junior Zampar) fala que eu pedi quantia de R$ 1 milhão na presença de um primo e o primo nega veementemente, negou por várias vezes no Gaeco. Então, essas contradições que são pegas nesses depoimentos obviamente nos trazem uma tranquilidade maior", afirmou Takahashi, que era o presidente da Câmara até ser afastado pela Justiça e apontado pelo Ministério Público na ação como "um dos líderes do esquema".

Questionado pela FOLHA se considerava justo um embate entre uma testemunha desacompanhada contra dois advogados, a defesa de Takahashi, Anderson Mariano, lembrou que Júnior Zampar também havia prestado depoimento ao Ministério Público sozinho. Mariano ainda disse esperar um relatório positivo a seu cliente.

No próximo dia 24 se encerra o período de 180 dias de afastamento judicial das atividades parlamentares determinado pelo juiz Emil Gonçalves, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina. Rony Alves disse também estar confiante sobre a não renovação da medida.

"Esperamos que o juiz realmente nos reconduza ao nosso cargo de vereador na Câmara até porque nós nunca pedimos alguma vantagem indevida nem nunca nos foi oferecido", afirma Rony Alves.

Voz de prisão

O clima de tensão nesta primeira fase de oitivas se materializou com um pedido de prisão feito pela defesa de Rony ao agricultor Junior Zampar. "Quando ele fala que fulano pediu, o primo dele vem e fala que não pediu", afirmou o advogado Maurício Carneiro em relação ao suposto pedido de propina por parte do vereador do PTB. Mas o pedido de detenção não se concretizou. "Às vezes um momentinho de exaltação não significa que tenha que mandar uma pessoa pra prisão", ponderou o presidente da CP, vereador José Roque Neto (PR).

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