Os problemas elétricos ocorridos na noite de quinta-feira no bairro Pilarzinho, onde está localizada e TV Bandeirantes, repercutiram a alta tensão que acompanhou o terceiro debate televisionado entre os candidatos à Prefeitura de Curitiba. Momentos antes dos concorrentes chegarem à emissora, um curto-circuito deixou a região às escuras e o evento teve que ser transmitido com ajuda de um gerador.
Diferente do primeiro debate, ocorrido no último dia 31 de julho, quando a preocupação estava em apresentar propostas, dessa vez os concorrentes não pouparam ataques ao atual prefeito e candidato à reeleição, Beto Richa (PSDB), demostrando que, a meio caminho do pleito de 5 de outubro, a tendência é que a temperatura da campanha suba.
As críticas mais contundentes partiram de Carlos Moreira (PMDB), Gleisi Hoffmann (PT) e Maurício Furtado (PV) e se referiram à falta de transparência nos órgãos municipais e a falta de vagas em creches. Eles levantaram suspeitas sobre o financiamento da campanha tucana por empresas que prestam serviços em diversas áreas da administração municipal. Outros temas como a falta de empenho na implantação do metrô, e os gastos do município com propaganda também foram explorados.
Ao responder essas acusações, Beto acusou a existência de ''um jogo combinado dos candidatos'' para atacá-lo.
Na passagem do segundo para o terceiro bloco um início de tumulto ocorreu na entrada do estúdio da emissora, quando Carlos Moreira tentou levar ao programa algumas caixas de papelão pintadas de preto, com inscrições ''caixa preta da prefeitura'' e ''caixa preta da Urbs'', referindo-se à falta de transparência sobre as ações dos órgãos municipais. A organização do debate proibiu a utilização dos objetos, mas Moreira insistiu no tema afirmando que a Urbs (empresa responsável por gerenciar o transporte na capital) não esclarece para onde vão repasses da ordem de R$ 700 milhões, bem como o dinheiro de multas de trânsito, e o dinheiro arrecadado com a reciclagem.
Beto pediu direito de resposta, que não lhe foi concedido. Aproveitou então o tempo que teria para responder a uma pergunta de Maurício Furtado para responder aos adversários: ''Com a minha honra não se brinca'', irritou-se.
A mudança no tom das críticas foi observado por Fábio Camargo (PTB), que mais de uma vez comentou durante o programa que o clima ''estava tenso'' no local. Em certo momento, chegou a oferecer um gole de água a Moreira para que ele se acalmasse.

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