HavanaDepois da ruptura das relações diplomáticas do Uruguai com Cuba, continuam as tensões entre a ilha caribenha e o México, cujo governo disse que vê esta crise como um detalhe sem importância. O governo do Uruguai anunciou na terça-feira que tinha decidido romper suas relações diplomáticas com Cuba, um dia depois de o presidente Fidel Castro chamar o governante do país sul-americano, Jorge Batlle, de ‘‘tresnoitado e Judas abjeto’’.
Uma troca de acusações que teve como principal motivo a atuação do Uruguai na Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ONU, em Genebra, acabou provocando a interrupção das relações diplomáticas cubano-uruguaias, restabelecidas há dezesseis anos. O Uruguai, em companhia de um grupo de países latino-americanos, apresentou neste ano um projeto de resolução na CDH que questiona a situação dos direitos humanos na ilha e que foi aprovado na sexta-feira passada por 23 votos a favor, 21 contra e nove abstenções.
O Uruguai é o primeiro país a voltar a romper seus vínculos com Cuba, depois que, em 1962, todos os países do continente – exceto o México – assumiram essa posição, acatando decisão da OEA.
Paralelamente, as relações entre Cuba e o México se mantêm tensas, embora o presidente mexicano, Vicente Fox, tenha manifestado que não é sua intenção chegar a uma ruptura das relações com a ilha, que já têm cem anos.
Fidel Castro analisou a resposta do governo mexicano a sua declaração política da última segunda-feira, e defendeu sua decisão de divulgar a gravação de uma conversa que teve em março com Fox, antes da Cúpula de Monterrey.
Fidel assegurou que foi ‘‘uma necessidade de trabalho e uma necessidade da história’’ e afirmou que nunca tinha usado uma conversa gravada.
‘‘Não foi algo que fiz contra Fox, infelizmente foi a única vez que tivemos que utilizar uma conversa, mas não queríamos’’, disse, e afirmou que uma conversa ‘‘entre dois chefes de Estado não é um segredo de confissão’’.

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