Tenho o pé no chão, afirma Lerner
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
O governador Jaime Lerner não admitiu, mas também não negou ontem que possa ser candidato a presidente da República, o que o faria competir com o presidente Fernando Henrique Cardoso depois de garantida a emenda da reeleição. Nunca me lancei candidato, tenho pé no chão, disse. Para a mosca azul - que por enquanto é uma mosca verde, por ser do Paraná - temos de dar o devido tempo, emendou.
O governador disse apenas que é tão candidato natural ao governo (com reeleição) quanto um candidato natural a concluir todas as prioridades que assumi perante o povo do Paraná neste período do governo. Para ele, a grande dificuldade do nosso País é que todo mundo fica preocupado com a próxima eleição.
Eu não quero repetir uma frase batida, de que estou preocupado com a estratégia do Estado, em fazer o Estado avançar. O que vier depois vem naturalmente, disse Lerner, para fugir da pressão de perguntas de repórteres sobre seus próximos passos políticos. Quem se preocupa muito com a próxima etapa quebra a cara, ressalvou. O governador considera evidente que, com uma administração qualificada, pode ser candidato natural a um novo mandato ou a qualquer opção futura.
Lerner também não admite que vá viajar à França na próxima semana para negociar com empresários franceses, na perspectiva de que possa ser o governador do Paraná para os próximos seis anos. Eu não me preocupo com seis anos. Eu sempre disse que minha preocupação é com os próximos dois anos do meu governo. O que virá depois, só a imprensa que sabe, ironizou.
Expurgo pedetista Até aqui comedido no comentário sobre o expurgo que a direção nacional do PDT executou em suas fileiras sobre os que foram a favor da reeleição de FHC - entre eles o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira -, Lerner ontem foi mais duro com a direção do partido.
Eu lamento profundamente a perda do Dante de Oliveira, acho que ela não deveria ter acontecido e essa diminuição progressiva de deputados, de lideranças do PDT, também me preocupa, disse Lerner.
O governador excluiu o nome do colega Dante de Oliveira da análise, mas disse que quando um partido é muito aberto na admissão, não pode ser muito rígido na continuidade. Segundo ele, é preciso coerência: teremos de ser rígidos na admissão para que episódios como esse não ocorram, recomendou.


