O governador Jaime Lerner não admitiu, mas também não negou ontem que possa ser candidato a presidente da República, o que o faria competir com o presidente Fernando Henrique Cardoso depois de garantida a emenda da reeleição. ‘‘Nunca me lancei candidato, tenho pé no chão’’, disse. ‘‘Para a ‘mosca azul’ - que por enquanto é uma mosca verde, por ser do Paraná - temos de dar o devido tempo’’, emendou.
O governador disse apenas que é ‘‘tão candidato natural ao governo (com reeleição) quanto ‘‘um candidato natural a concluir todas as prioridades que assumi perante o povo do Paraná neste período do governo’’. Para ele, ‘‘a grande dificuldade do nosso País é que todo mundo fica preocupado com a próxima eleição’’.
‘‘Eu não quero repetir uma frase batida, de que estou preocupado com a estratégia do Estado, em fazer o Estado avançar. O que vier depois vem naturalmente’’, disse Lerner, para fugir da pressão de perguntas de repórteres sobre seus próximos passos políticos. ‘‘Quem se preocupa muito com a próxima etapa quebra a cara’’, ressalvou. O governador considera ‘‘evidente’’ que, com uma administração qualificada, pode ser candidato natural a um novo mandato ‘‘ou a qualquer opção futura’’.
Lerner também não admite que vá viajar à França na próxima semana para negociar com empresários franceses, na perspectiva de que possa ser o governador do Paraná para os próximos seis anos. ‘‘Eu não me preocupo com seis anos. Eu sempre disse que minha preocupação é com os próximos dois anos do meu governo. O que virá depois, só a imprensa que sabe’’, ironizou.
Expurgo pedetista Até aqui comedido no comentário sobre o ‘expurgo’ que a direção nacional do PDT executou em suas fileiras sobre os que foram a favor da reeleição de FHC - entre eles o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira -, Lerner ontem foi mais duro com a direção do partido.
‘‘Eu lamento profundamente a perda do Dante de Oliveira, acho que ela não deveria ter acontecido e essa diminuição progressiva de deputados, de lideranças do PDT, também me preocupa’’, disse Lerner.
O governador excluiu o nome do colega Dante de Oliveira da análise, mas disse que ‘‘quando um partido é muito aberto na admissão, não pode ser muito rígido na continuidade’’. Segundo ele, ‘‘é preciso coerência: teremos de ser rígidos na admissão para que episódios como esse não ocorram’’, recomendou.

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