'Tenho convicção que o PT foi infiel ao seu programa', diz Arns
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O senador paranaense Flávio Arns comunicou ontem à Justiça Eleitoral sua desfiliação do PT, abrindo a possibilidade agora para que a legenda peça seu mandato ''de volta'', com base na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata da infidelidade partidária. Arns, contudo, disse em entrevista à Reportagem que confia na sua posição: ''Se surgir a discussão sobre a infidelidade partidária, e eu acho que vai surgir, vai ser uma debate interessante. Porque eu tenho plena convicção que o PT foi infiel ao seu programa partidário, e não eu''.
A questão da infidelidade partidária voltou a ser discutida pela Justiça Eleitoral em 2007. Naquele ano, o TSE divulgou um entendimento no qual o mandato eletivo pertence ao partido político, e não ao político que assumiu a cadeira. Mas a resolução definiu regras para a perda do mandato por infidelidade partidária. Políticos que se desfiliaram alegando que o partido ''traiu'' seu próprio programa ou que houve discriminação pessoal, por exemplo, têm chance de permanecer à frente do mandato.
Arns também sustenta que sofreu discriminação de membros do partido e até do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando anunciou sua saída. ''A gente poderia citar muitas coisas. Mas foi um desrespeito quando o presidente Lula falou à imprensa que meu tratamento seria diferente ao da Marina Silva, por exemplo, argumentando que eu era um senador de primeiro mandato. Como se fosse algum demérito. E ele é presidente de honra do partido'', disse Arns.
Embora em atrito com a sigla desde 2006, Arns só resolveu se desfiliar após o episódio envolvendo o senador José Sarney (PMDB/AP), e acabou, portanto, sendo acusado de ''oportunista'' por membros do PT. ''Em vários momentos eu de fato tive que ser veemente. No episódio do fechamento das Apaes (associações de pais e amigos dos excepcionais), por exemplo, eu fui drástico, contundente mesmo. Mas a desfiliação ocorreu agora porque a natureza desse episódio é diferente. É uma coisa que envolveu todo o sentimento de sociedade. E o arquivamento (das denúncias contra Sarney no Conselho de Ética do Senado) foi muito sério. E não fui só eu, dentro do PT, que não gostei: foi uma lástima para vários petistas'', argumentou ele.
Ontem, o senador foi pessoalmente à 177 zona eleitoral de Curitiba para comunicar sua desfiliação. A carta de desfiliação foi entregue ao diretório municipal do PT um dia antes. Em seguida, Arns conta que enviará ''cópia de tudo'' para o diretório nacional da sigla.
Antes de sair do PT, Arns pagou R$ 66 mil à legenda, referente a uma dívida de contribuição partidária obrigatória. ''Já discutimos isso internamente. Mais de 20% do salário líquido por mês ao partido é um valor significativo. Outras pessoas também têm dificuldade financeira em cumprir com a contribuição. Mas é uma questão administrativa, eu aceitei as regras e queria sair sem pendências'', disse ele.
O ex-petista assegurou que ainda não é o momento de pensar sobre uma nova filiação partidária. ''Vários me convidaram. Praticamente todos os partidos abriram as portas para mim. Mas, primeiro, vamos terminar o processo de desfiliação. Ainda não está nada decidido.''


