O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), afirmou que a ‘‘tendência’’ é que a Sercomtel Celular seja vendida. O prefeito esteve reunido ontem em Brasília com o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, para discutir as possibilidades da companhia de telefonia celular londrinense competir no mercado.
‘‘A tendência é nesse sentido. Ele (Guerreiro) colocou a relação da celular como atividade de altíssimo risco para a empresa’’, avaliou Nedson. ‘‘Nos deu mais subsídio à análise que nós temos. O relatório fundamentou e o presidente também.’’
O estudo realizado por um grupo de funcionários da companhia telefônica, concluído no dia 28 de março, apontou que a manutenção da Sercomtel Celular como uma empresa pública poderá se tornar inviável frente à forte concorrência, sobretudo após a ativação das novas bandas C, D e E. O estudo ainda cogita a hipótese de que a estatal londrinense sofrer uma desvalorização se demorar muito para ser vendida. A estimativa é de que em breve o mercado de telefonia celular seja controlado por cinco gigantes do setor.
O prefeito acredita que a Tele Centro Sul (controlada pelo grupo italiano Telecom Itália Móbile – TIM) seja a única interessada em adquirir a Sercomtel Celular, como revelou o estudo. ‘‘A TIM opera a banda A, a mesma da Sercomtel, e com a compra poderia ampliar a escala de atuação. A TIM só vai ter interesse se tiver o preço da venda. E se não for vendida, ela irá operar aqui através da banda D, desvalorizando ainda mais a companhia londrinense’’, justificou.
Conforme Nedson, ainda não foram realizadas avaliações para definir o preço mínimo em caso de uma possível negociação dos 55% da Sercomtel Celular que pertencem ao município – em maio de 1998, 45% das ações da telefônica foram vendidas para a Copel. O preço deverá ser estabelecido através de análises de mercado. Ele reafirmou que antes de qualquer definição deverá realizar um plebiscito, que irá decidir pela venda ou manutenção da Sercomtel Celular.
O prefeito também discutiu com o presidente da Anatel a ampliação da área de atuação da telefonia fixa da Sercomtel. ‘‘Conforme relatórios de cumprimento de metas, poderemos estar antecipando e encaminhando projetos para a ampliação a partir de janeiro de 2002. A Sercomtel Fixa tem qualidade tecnológica e não vai ficar restrita, que é problema da Celular’’, afirmou.
Nedson pretende agendar para a próxima semana uma reunião com o presidente da Copel, Ingo Hubert, para discutir os encaminhamentos que deverão ser dados. A diretoria da Copel vem mantendo cautela e não tem se pronunciado sobre a possível venda da Celular.
Nedson também participou anteontem da Marcha da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que levou mais de três mil prefeitos a Brasília, para fazer várias reivindicações, como alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal e mais atenção para a educação e saúde.

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