O PPB deverá expulsar hoje o deputado Sérgio Naya, engenheiro responsável pela construção do edifício Palace II, cujo desabamento provocou a morte de oito pessoas. A executiva do partido e a comissão de ética criada para avaliar o comportamento de Naya reúnem-se em Brasília para definir sua punição. ‘‘A tendência do PPB é realmente pela expulsão do deputado’’, afirmou o presidente da legenda e ex-prefeito Paulo Maluf (foto).
A divulgação de gravações no programa ‘‘Fantástico’’, domingo, em que Naya afirma ter falsificado documentos e cometido outras irregularidades, levou o partido a tratar rapidamente do caso. ‘‘O vídeo representa a confissão de um atentado ao exercício de parlamentar’’, disse Maluf. ‘‘O parlamentar tem de ter ética e essa confissão é suficiente para que a executiva decida expulsar o deputado.’’ Segundo o ex-prefeito, Naya não será convocado para apresentar sua defesa.
Na manhã de segunda-feira , Maluf havia determinado a formação da comissão de ética, comandada pelo presidente do PPB mineiro, o deputado federal Ibrahim Abi-Ackel, mas a repercussão dos fatos premeditou o julgamento. ‘‘Nas conversas que tivemos posteriormente (entre os dirigentes do partido), verificamos que a confissão de um crime invalida um procedimento protelatório da comissão de ética’’, explicou o ex-prefeito. ‘‘A comissão seria para estudar a validade ou não de uma punição, mas uma vez que a pessoa confessou, esse elemento processual é desnecessário.’’
De acordo com o presidente do PPB, a executiva deverá ouvir a opinião de todos os seus integrantes, mas alguns dos pepebistas mais influentes já se manifestaram favoráveis à expulsão. São eles o primeiro e o segundo vice-presidentes do partido, deputados Delfim Neto (SP) e Pedro Corrêa (PE), os líderes na Câmara e no Senado, Odelmo Leão (MG) e Epitácio Cafeteira (MA), além do ministro da Indústria, Francisco Dornelles.
As irregularidades praticadas por Naya, na opinião de Maluf, não deverão prejudicar a imagem do partido. ‘‘Pessoas filiadas ao PT na Bahia assaltaram um banco e nem por isso eu culpo PT, assim como também não culpo o PSDB pelos sem-terra que foram mortos na desocupação ordenada pelo governador Almir Gabriel, no Parᒒ, disse. ‘‘Nem acho que eles culpariam o PPB por ter alguém nas suas fileiras que, sendo indigno, foi expulso.’’

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