O delegado Vicente Chelotti apresentou na noite de ontem ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, o pedido de demissão do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Calheiros aceitou o pedido e nomeou o delegado Wantuir Brasil Jacine para substituir Chelotti nos próximos dias, até a nomeação de um titular. Jacine é o responsável pela Coordenação Central de Polícia da PF - segundo cargo da corporação.
O ministro da Justiça determinou a realização de um levantamento, na PF, sobre o andamento de todos os inquéritos em andamento na corporação, grande parte deles instaurada na gestão de Chelotti. Calheiros ordenou ainda que seja feita uma varredura de todos os telefones do governo na Esplanada dos Ministérios para detectar possíveis gravações (grampos) clandestinas de conversas - que nos últimos tempos se tornaram habituais como instrumento de pressão sobre autoridades do Executivo.
A substituição foi ontem um dos principais temas da agenda de FHC, que conversou duas vezes com o ministro da Justiça. Até o início da noite, entretanto, o governo ainda não tinha definido o nome do substituto definitivo do delegado, que ficou quatro anos no cargo.
Pela manhã, FHC conversou com Calheiros sobre Chelotti que, em conversas telefônicas, disse ter ‘‘cola superbonder’’ na cadeira e ainda ter ‘‘nas mãos’’ o ex-ministro da Justiça Íris Resende. Chelotti vinha sugerindo em conversas que se mantinha no cargo graças a informações privilegiadas que tem de autoridades do governo federal.
Ao chegar ontem de Lima, às 10 horas, Calheiros telefonou para FHC. O ministro ponderou que seria importante indicar alguém capaz de tornar a atuação da PF mais alinhada às políticas do governo, um dos motivos de crítica a Chelotti.
No período da tarde, Calheiros foi ao Planalto, onde foram feitas ponderações sobre um nome ideal para substituir Chelotti. A Casa Militar da Presidência defende um nome de carreira da própria PF, mas com feições menos corporativistas do que Chelotti. Os militares dizem que o delegado criou uma espécie de hierarquia paralela no governo, chegando a desrespeitar até FHC.
A substituição de Chelotti na PF deverá representar maior liberdade para Calheiros deslanchar campanhas de defesa do consumidor. Calheiros tentou algumas vezes prender agiotas e punir donos de supermercados que lesam os consumidores, mas não ganhou o apoio que esperava da PF. A avaliação feita até por agentes da PF é que seria fácil prender agiotas, bastando, para isso, ler os anúncios nos jornais.

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