Independente do resultado da briga entre os aliados do governo na discussão da lei eleitoral para 98, o Palácio do Planalto já tem motivos para comemorar. Tanto o parecer do relator Carlos Apolinário (PMDB-SP) como as propostas alternativas apresentadas pelo PSDB e PFL propõem uma campanha presidencial curta, ponto considerado fundamental para preservar o presidente Fernando Henrique Cardoso e, ao mesmo tempo, garantir o sucesso do projeto da reeleição.
‘‘O governo já levou o que queria: a campanha eleitoral mais curta da história’’, resumiu o deputado João Almeida (PMDB-BA). Cálculos preliminares dos participantes da comissão especial da lei eleitoral indicam que o tempo total de exposição de Fernando Henrique nos programas gratuitos no rádio e na televisão será de cerca de seis horas. Isto, considerando o tempo destinado a uma coligação em que estejam presentes o PSDB de Fernando Henrique, o PFL e o PMDB.
‘‘Se o governo está atendido em qualquer hipótese, o que não se pode permitir é que se impeça o adversário de fazer campanha’’, protesta o relator Carlos Apolinário. Seu projeto prevê 39 programas de 25 minutos, para serem divididos entre os candidatos a presidente e os candidatos a governos estaduais, que ocupam o horário eleitoral em dias alternados. A fórmula destina 19 programas para os candidatos a presidência e 20 para os governadores. ‘‘A diferença é que eu dou dois minutos e meio para o adversário das oposições fazer seu programa e o PFL reduz para um minuto e meio, o que praticamente destrói a campanha do PT’’, diz Apolinário.
Todos os aliados propõem que a campanha seja feita nos 45 dias anteriores à eleição - contra os 60 do último pleito. No que se refere ao presidente, a diferença está no tempo de duração e na quantidade de programas ao longo deste período. Apolinário sugere dois blocos de 25 minutos para serem divididos entre os candidatos a presidente, e o projeto pefelista de Saulo Queiroz reduz o tempo para 15 minutos. Só que o PFL quer Fernando Henrique na tevê todos os dias, enquanto o PMDB e o PSDB dão mais tempo ao presidente mas reduzem sua aparição a apenas três vezes por semana.
Apesar de o Planalto ter a garantia antecipada de uma boa solução para o presidente, Fernando Henrique quer reunir na próxima terça-feira os líderes aliados e o comando da comissão da lei eleitoral. ‘‘O importante para nós, agora, é separar o interesse dos partidos do interesse do governo’’, propõe o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). Ele é um dos que admitem que as polêmicas que envolvem os aliados são muito mais de interesse partidário do que do Planalto.
‘‘A bomba agora é a escolha do número que vai registrar a coligação’’, comentou o líder com um pefelista ontem. Os tucanos fazem questão que seu candidato a presidência seja registrado com o ‘‘45’’ do PSDB, o que PFL e PMDB não aceitam. ‘‘O PSDB não abre mão disso e faz um apelo ao bom senso dos aliados para evitar o constrangimento do presidente de fazer um veto a um artigo como esse’’, resumiu o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). ‘‘Essa questão diz respeito aos partidos: só me meto se o presidente Fernando Henrique resolver que vai interferir nesse assunto’’, disse o líder Luís Eduardo.

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