TEMPO DE ESPERANÇA
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de dezembro de 2007
José Eduardo de Andrade Vieira 
Mais do que esperança. Há motivos reais para acreditar na consolidação de um ciclo de prosperidade sustentada. Esta base sólida tende a se configurar agora, em 2008. A atividade produtiva começa a alcançar a plena distribuição da riqueza entre todas as camadas da população. A inclusão social prenuncia demanda e promove o aumento do consumo, que requer produção, que emprega mão-de-obra, que faz o dinheiro circular.
Há uma série de razões apontando para um bom desempenho da economia no novo ano. Desnecessário enumerá-las agora pois citadas na mídia diariamente já são do conhecimento de todos.
Queremos analisar e chamar a atenção de nossos leitores para outro aspecto tão ou mais importante do que as questões econômicas. A questão política. O ano de 2006 foi o ano das maracutaias. Das malas cuecas ou cuecas malas. Do mensalão. De práticas de corrupção de toda ordem. Da falta de ética. Do nada sei. E outras mazelas de ordem moral e de falta de caráter de algumas de nossas lideranças políticas.
Já em 2007, apesar de persistirem algumas dessas práticas condenáveis da falta de ética e decoro parlamentar, algumas mudanças significativas ocorreram no âmbito da Justiça e do próprio Parlamento nacional. Sem dúvida que estas mudanças só ocorreram por pressão popular e conveniências políticas circunstanciais. Mas o que de fato importa é que ocorreram. E precisamos que continuem acontecendo, pois este é o único caminho para restabelecer a dignidade, o amor próprio, a auto-estima do povo brasileiro. Para tanto torna-se imprescindível que o eleitor, o estudante, a mídia de uma maneira geral continuem a pressão, a cobrança da mudança de atitude, da transparência e lisura dos atos governamentais.
Nossas autoridades precisam entender que o povo não é tão desligado quanto parece. O governo atribui a derrota da votação da CPMF exclusivamente à oposição. Está equivocado. Aos olhos do eleitor não há diferenças marcantes entre o governo atual e o passado. Não há grandes diferenças em questões de caráter e ética nas figuras de Fernando Henrique e Luiz Inácio. Quando afirmaram ser o dinheiro da CPMF para a Saúde faltam com a verdade. Ambos trataram de aliciar apoios no Congresso com vantagens de cargos e liberação de verbas das emendas parlamentares.
O povo tem consciência do desperdício de verbas nas mais variadas esferas de governo (desde a câmaras de vereadores, passando pelas assembléias estaduais, Judiciário, governos estaduais e governo federal até o gabinete do presidente da República) e sabe que se houvesse vontade política tais recursos seriam dirigidos para a Saúde e Educação. O eleitor tem consciência de que nenhum esforço tem sido feito no sentido de moralizar a administração pública.
Pode-se dizer que o último ato emblemático de combate à pressão política foi cometido por Itamar Franco ao convocar a imprensa em geral para assistir à entrega das denúncias prometidas pelo então governador da Bahia, Antonio Carlos Magalhães.
Itamar deixou seu curto período de governo com mais de 80% de aprovação popular e o nível da auto-estima do povo brasileiro nas alturas.
Assim é que vimos desejar que 2008 seja o ano do resgate da auto-estima do povo brasileiro, pelo desempenho positivo dos parlamentos em defesa do cidadão, pelas decisões da Justiça no rastro do exemplo dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.
JOSÉ EDUARDO DE ANDRADE VIEIRA é empresário, ex-ministro da Indústria e do Comércio, Agricultura, ex-senador pelo Paraná e diretor-superintendente da FOLHA DE LONDRINA


