Tempo curto impediu maturação da campanha
Os 45 dias de campanha eleitoral foram insuficientes para o eleitor conhecer a fundo os candidatos e mais ainda suas propostas para governar Londrina. O exíguo tempo de campanha, reduzido pela metade com a minirreforma eleitoral do ano passado, veio em prejuízo dos eleitores e candidatos, avaliaram analistas políticos ouvidos pela FOLHA.
Doutor em Filosofia, o professor Elve Miguel Cenci, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), avalia que a campanha começou de maneira tardia, atrasada pela mudança na legislação eleitoral, e, quando foi dada a largada, as atenções estavam voltadas para o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "As articulações dos partidos também começaram mais tarde e quando a campanha começou, de fato, começou esvaziada", avaliou.
Apenas há algumas semanas, depois do início do horário eleitoral, as pessoas focaram as atenções no cenário local, começaram a se familiarizar com os candidatos, já que seis deles são ou eram praticamente desconhecidos. "Uma campanha tem um tempo de maturação. Agora que os eleitores começam a se familiarizar, a se entusiasmar, a conhecer as propostas e discursos, já é hora da eleição.", resumiu Cenci.
O professor Clodomiro Bannwarth, também doutor em Filosofia e docente da UEL, analisou no mesmo sentido, considerando que a alteração legislativa tolheu direitos comunicativos: por um lado, limitou a liberdade de expressão dos candidatos e partidos e, por outro, restringiu a liberdade de informação dos eleitores. "Com a intenção de reduzir custos, houve um prejuízo muito grande. Os espaços para debate diminuíram", avaliou.
Aliás, o professor se demonstrou cético quanto à possibilidade de redução de custos, considerando que o teto de gastos para os municípios menores ainda é elevado. "Alguns analistas preveem que não haverá redução de gastos no cômputo geral." (L.C.)





