Denúncias de irregularidades no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) de Londrina motivaram as mudanças na diretoria do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em outubro de 2013. De acordo com a reitoria, que tem sede em Curitiba, toda a direção do campus Londrina foi trocada e foram abertos procedimentos administrativos para apurar o envolvimento de servidores nas irregularidades, que vão desde fraudes no registro da carga horária dos cursos até a venda de certificados. Os nomes dos investigados não foram revelados, porém a instituição confirmou que os indícios são anteriores às alterações na direção da unidade de Londrina.
Segundo o reitor interino do IFPR, Jesué Graciliano da Silva, que é servidor do IFPR de Santa Catarina, as primeiras suspeitas em relação a Londrina chegaram a ele em agosto do ano passado, logo que assumiu cargo após o afastamento judicial do então reitor, Irineu Colombo, ex-deputado federal pelo PT. "Precisamos esclarecer tudo e vamos dar aos servidores o direito de ampla defesa. Mas um, dois ou três não podem colocar em dúvida o trabalho de milhares de servidores do instituto. Temos que depurar, tirar as pessoas ruins."
Conforme a FOLHA noticiou, professores do Pronatec de Londrina estariam registrando a prestação de 5h30 de aula por dia de curso, quando na realidade ministravam apenas 3h30. O Ministério Público Federal (MPF) também abriu investigação para apurar, além das eventuais fraudes no programa federal, a venda de certificados, suposto pagamento em duplicidade de diárias e fraude em concurso público para ingresso de professores.
Até o início das investigações o campus Londrina do IFPR era dirigido pela professora Edilomar Leonart, substituída pelo servidor Marcelo Estevam. Ela foi procurada pela reportagem ontem, mas não atendeu as ligações. Jesué também confirmou mudanças nos campi de Campo Largo e Jacarezinho. "Como reitor interino, devo ter pessoas de confiança para tocarmos nossos projetos administrativos. Nestes locais tive dificuldades", afirmou, sem, no entanto, detalhar quais problemas estariam ocorrendo. O reitor reconheceu que as mudanças tiveram relação "em parte" com as denúncias de irregularidades, no entanto, "deve-se ressaltar que nem todos os envolvidos são servidores, alguns são professores que prestam serviço ao instituto".
Jesué ocupa a reitoria do IFPR desde agosto de 2013, indicado pelo Ministério da Educação, em virtude do afastamento de Irineu Colombo, durante a Operação Sinapse, da Polícia Federal (PF), deflagrada para levantar indícios de desvio de recursos por meio de convênios entre o IFPR da capital com Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (oscips).
O afastamento judicial de Colombo vence em 15 dias, mas ainda há dúvidas sobre o retorno dele ao cargo, devido a um procedimento administrativo aberto pela Controladoria Geral da União (CGU) "para apurar se houve omissão da gestão anterior nas ilegalidades apontadas pela polícia", de acordo com Jesué. "No processo administrativo existe a possibilidade de afastamento, mas isso ainda será definido até o final do mês." A reportagem não conseguiu contato com Irineu Colombo.

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