''Temos patinado'', diz Chinaglia
Temos patinado, diz Chinaglia
Mesmo para os dirigentes nacionais do PT, como é o caso do secretário-geral da Executiva Nacional, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), a linha política e a estratégia do partido precisa mudar. Após a mobilização vitoriosa do Fora Collor, temos patinado, escreveu Chinaglia no texto PT para mobilizar e dirigir. E acrescenta: Fizemos oposição branda a Itamar Franco, tivemos dificuldades para enfrentar a articulação das elites em torno de FHC. O 2º Congresso, para esse dirigente, deve mostrar à militância que temos novidade no front e não estamos sós nas trincheiras da oposição.
Os deputados José Genoino, José Dirceu e Marco Aurélio Garcia, secretário de Assuntos Internacionais do PT, assinam dois dos poucos textos moderados publicados em três cadernos publicados para debate prévio. Genoino pensa que as transformações políticas deste final de século dificultam a abordagem teórica do socialismo e propõe uma autocrítica com base no fato de que a esquerda não conseguiu formular com consistência uma alternativa política ao conservadorismo e ao neoliberalismo.
Dirceu e Garcia fazem o discurso tradicional da esquerda mais extremada, mas chegam a conclusões opostas sobre a melhor estratégia para conquistar o poder. A ofensiva neoliberal, iniciada com Collor e aprofundada por FHC, instaurou a hegemonia do capital financeiro, paralisou a produção, agravou o desemprego, a exclusão social e retirou do país capacidade para decidir seu futuro, discursam eles. Ao concluir a tese, eles optam pela cautela na análise sustentando que seja qual for o destino do governo FCH o PT e a esquerda precisarão de coesão e mobilização social para derrotar a política neoliberal.
As posições assumidas pelos dirigentes que têm visibilidade e papel de interlocução na esfera federal tende a ser naturalmente moderada. A promoção da marcha sobre Brasília e a adoção de palavras de ordem mais agressivas, segundo alegam fontes bem situadas do partido, foram impostas à direção nacional, que preferiu assumir o comando do movimento para não perder, com antecedência, o controle do próprio partido, que estará em disputa no 2º Congresso.





