'Temos garantidos os contornos Norte e Leste de Londrina', diz Sandro Alex
Apoiado por Ratinho Junior, pré-candidato do PSD ao governo fala à FOLHA sobre o cenário político, projetos de infraestrutura para o Estado e o pedágio
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domingo, 28 de junho de 2026
Apoiado por Ratinho Junior, pré-candidato do PSD ao governo fala à FOLHA sobre o cenário político, projetos de infraestrutura para o Estado e o pedágio

Curitiba - Escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD) para concorrer ao governo do Paraná pelo PSD, o deputado federal Sando Alex tem adotado um lema: não parar as obras iniciadas no Estado nos últimos anos. A frase tem como alvo seus possíveis adversários que têm falado em rever os contratos do governo ou colocado em dúvida a lisura das contratações. “Não quero ver um contrato que ajudei com muito esforço a tirar do papel ser cancelado por um motivo político e de ódio”, diz o pré-candidato.
Natural de Ponta Grossa, Sandro Alex tem 53 anos e está em seu terceiro mandato como deputado federal. Foi secretário de Infraestrutura e Logística de Ratinho Junior e teve seu nome definido pelo governador em abril como seu possível sucessor. Nesta entrevista à FOLHA, o pré-candidato do PSD ao governo comenta o cenário político, seus projetos de infraestrutura para o Estado e o pedágio. E revela o perfil que diz considerar o ideal para o vice em sua chapa: alguém como Darci Piana, vice de Ratinho Junior.
Por que o senhor quer ser governador do Paraná?
Para servir as pessoas. Para fazer do Paraná uma referência nacional. Para continuar um legado realizado, transformador do Paraná. Para continuar o planejamento que eu, ao lado do Ratinho Junior, construí. Não quero ver uma obra parada. Não quero ver um contrato que ajudei com muito esforço a tirar do papel ser cancelado por um motivo político e de ódio, e isso prejudicar o povo do Paraná. Estou defendendo um trabalho realizado, porque estive ao lado desse time que construiu. Fui encarregado pelo governador de representar esse time nesse momento. E eu me preparei. Nós temos um modelo de governar. E a população, democraticamente, vai escolher qual é o caminho que ela gostaria para o Paraná. Já mostramos o nosso trabalho.
O que o diferencia dos demais pré-candidatos que estão colocados?
Essa é uma avaliação que o eleitor vai fazer. Mas temos muitas diferenças. Primeiro: nós temos um time com clareza, que trabalhou por esse Estado. Temos programas reconhecidos nacionalmente. Esse é um grande diferencial. Segundo, penso que nós também nos diferenciamos pela distância da burocracia e do atraso. Algumas políticas se mostraram envelhecidas no Paraná. Não quero ver o Porto de Paranaguá novamente com restrições para que Santa Catarina seja beneficiada porque o governante se tornou um déspota e colocou restrições. Pegamos um porto com fila batendo na serra de São Luiz do Purunã. Respeito cada uma das candidaturas, mas nós temos diferenças. Não quero ver um estado burocrata, de pessoas que digam “não” para tudo. É fácil apontar o erro, mas ninguém tem me mostrado qual é o projeto. Represento um time que resolve. E me diferencio porque não tenho pregado ódio contra ninguém. Não estou aqui para destruir partido político. Governador não é para isso. Não estou aqui para simplesmente dizer que meu plano de governo é combater a corrupção. Isso é princípio do homem público. Toquei as obras no Paraná e não tenho nenhum apontamento.
O senhor foi secretário da Infraestrutura. Quais os gargalos logísticos que o Paraná precisará enfrentar na próxima gestão e o que pode ser feito?
Tivemos ao longo de 20 anos obras que não andaram no ritmo do desenvolvimento do Estado. Não tivemos a ampliação da capacidade da infraestrutura do Paraná acompanhando o desenvolvimento do Estado. Mentiram para a população, usaram a demagogia nas eleições e não tivemos as obras que eram importantes. Não vou abrir mão do contorno de Arapongas, de uma nova estrada que ligue Apucarana a Londrina por dentro, dos contornos de Londrina. Não dá para abrir mão do contorno de Maringá, nem do contorno de Califórnia. Não abro mão da duplicação da BR-277. A gente não abre mão da duplicação da PR-323. Temos garantidos os dois contornos para Londrina, o Norte e o Leste. Foi a população e os prefeitos que decidiram. Todo o corredor de produção, duplicação ou ampliação tem que ser em concreto. E aí vem a demagogia, dizem que o preço será outro. Claro que o preço é outro, porque a obra é necessária.
Muitas das obras realizadas foram possíveis graças aos recursos da venda de ações da Copel. Como manter esse ritmo sem esse caixa no futuro?
Com gestão. Consegui fazer com vários recursos. Toquei a Estrada da Boiadeira, foram 40 anos espera, com o recurso da Itaipu junto com o governo federal. Fiz duplicação até Cascavel com o recurso do governo federal, com a Itaipu, o Contorno Leste de Cascavel da mesma forma. Fiz a estrada de Ramilândia, no sentido São Roque, para até Santa Helena, que é o pior IDH do oeste do Paraná. Conseguimos R$ 2 bilhões para obras estratégicas, inclusive o trevo Cataratas-Cascavel. A Ferroeste é do estado, mas a Malha Sul é do governo federal. Metade do caminho é do governo federal, de Paranaguá até Guarapuava. De Guarapuava até Cascavel é nossa. Mas só consigo andar no momento em que o governo federal decidir o que ele vai fazer na Malha Sul. E a Malha Sul é um assunto importante para Londrina. Londrina é hoje um hub. Nosso objetivo é 50% ferrovia, 50% rodovia. Hoje é 80% a 20%. Esse é um assunto estratégico. E os senadores do Paraná não estão participando. Tem gente que vem falar em infraestrutura e não fez a sua parte como senador. O Senado está distante do Paraná. A gente não viu a defesa dos interesses do Estado.
O senhor citou a possibilidade de paralisação de obras no Estado. Isso é em relação a outros pré-candidatos?
Tem pré-candidato colocando que quer revisar os contratos. Isso é paralisar o Paraná. Os contratos são transparentes, foram realizados com fiscalização e adequação a todos os órgãos de controle. Entra a eleição, volta a demagogia. Não é a primeira eleição em que se volta a falar sobre contratos. Nós vamos tocar as obras. Não vou parar a duplicação da BR-277, não vou parar a duplicação da PR-323, não vou parar a duplicação da Rodovia do Café. Eu sou o candidato que não vai parar as obras. Já discutimos isso com a população.
O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, disse que pretende trabalhar para atrair o ex-prefeito Rafael Greca para ser o vice de sua chapa. Como é que está essa discussão?
É natural nesse momento, teremos as convenções até 5 de agosto. Tenho dialogado com todos. A gente tem procurado buscar uma unidade. Já tem o apoio do Republicanos, que é o partido que lança o Alexandre Curi ao Senado. A gente tem procurado avançar, respeitando a pré-candidatura de todos. Mas o projeto do Paraná é o maior de todos. Também sou fruto de um projeto maior. Gostaria de ter um vice como Darci Piana. Um vice que somou, ajudou.
A coligação que ajudou a eleger e reeleger o governador tinha vários partidos, entre eles o PL, que lançou a pré-candidatura de Sergio Moro. O MDB pode lançar Greca. Será possível manter a unidade?
Acredito que sim. Temos uma união de pessoas. Até mais de pessoas do que de partidos. Alguns estão em legendas diferentes, mas o nosso pensamento é o mesmo. Com aquelas pessoas que tiverem o mesmo pensamento, a mesma conduta, a mesma linha do governador Ratinho Junior eu vou buscar sempre a unidade. Com relação ao PL, o governador Ratinho Junior era um dos pré-candidatos à Presidência. O Ratinho pediu um prazo, mas eles não esperaram esse prazo. Escolheram apoiar outro pré-candidato. Mas o Ratinho sempre foi muito correto com o PL. Ele esteve na eleição do presidente Jair Bolsonaro. A gente respeita a decisão deles, mas tem muitas pessoas que vão estar com o candidato a presidente do PL e comigo no Estado.
O presidente Lula (PT) deverá apoiar o deputado Requião Filho (PDT) e Flávio Bolsonaro (PL) o senador Sergio Moro. O PSD tem um pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, mas não há garantia de que ele consolide a candidatura. Como ficaria sua campanha sem um candidato à Presidência no palanque?
O Paraná não é dependente de Brasília. O Paraná não é vinculado umbilicalmente a Brasília. É um Estado autossuficiente. Acredito que os paranaenses, mesmo aqueles que defendem uma mudança em Brasília, defendem uma continuidade no Paraná. O nosso partido tem um bom pré-candidato, o Caiado é um nome respeitado no Paraná. Ele teve uma linha coerente de oposição ao PT ao longo de 30 anos. Ele está colaborando para um possível segundo turno. Se não tiver a candidatura dele, nem a do Romeu Zema, do Novo, talvez seja uma eleição de primeiro turno. O que nós estamos discutindo é o Paraná. E o que nós queremos de Brasília? O respeito. Que a nossa bancada, que os nossos senadores, defendam o Paraná. Nós não queremos as brigas de Brasília. Se em algum momento a política econômica nacional não foi boa para o Paraná, talvez tenha sido por uma falta de um Senado mais atuante.
Como aumentar a presença do seu nome em grandes centros como Curitiba e Londrina?
Os números de pesquisa que mexem comigo são dois. O primeiro, quando a população avalia o governador Ratinho. Ele tem a melhor avaliação do Brasil. Esse é um dado importante, porque a pessoa está respondendo que a vida dela melhorou. O outro, que 66% das pessoas não sabem ainda quem é o candidato a governador. As pessoas não estão interessadas na eleição. Elas estão falando agora do jogo do Brasil. A eleição virá lá depois das convenções. Estive desde o primeiro dia com o Ratinho Junior, mas não estava preocupado em divulgar meu nome. Quantas vezes eu estive em Londrina para falar “meu nome é Sandro Alex”? Não, estava lá dizendo que sou do time do Ratinho Junior. Agora estou tendo a oportunidade de dizer à população que fui o braço direito do governador. A primeira obra que eu fiz no Paraná foi na periferia de Londrina.
Em relação ao pedágio, como garantir que as obras sairão do papel? Há uma série de críticas também em relação às cobranças automáticas.
Construímos um modelo de concessões com a premissa de transparência, menor preço e muitas obras. Era uma concessão de rodovias federais, a cargo do governo federal, com as rodovias estaduais. As estaduais tinham que caminhar junto para que pudéssemos fazer um grande leilão e termos um preço menor. A Fiep participou, a Ocepar e as cooperativas participaram. O passado machucou as pessoas e elas sempre são usadas por um salvador da pátria que fala “abaixa ou acaba”. Nós estamos falando em R$ 90 bilhões em obras, é claro que esse é um modelo de tarifa maior do que um modelo de manutenção. Se você faz um modelo de manutenção com pedágio a R$ 5, esse é o melhor modelo? Não é, Santa Catarina está largando desse modelo para um modelo de obras. O Paraná colocou um modelo para os próximos 30 anos. E o governo reduziu o IPVA. Para quem tem um carro normal, só a diferença do IPVA dá para passar cem vezes no pedágio. Fizemos um leilão que coloca regras claras com esses contratos. Se eles não realizarem as obras, trava a cobrança deles. É diferente do passado. Não tinha clareza nisso tudo. Agora, se tem pórtico ou cabine, essa é uma evolução da tecnologia. Todos os problemas nós estamos buscando resolver. Colocam como se o assunto fosse só do governo do Estado.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.


