Temor do autoritarismo
Os adversários dos presidenciáveis que disputam o segundo turno, e que não são poucos e até possibilitaram por ironia o "Fica, Temer", alegam temer ruptura democrática e autoritarismo. Dá para perceber no entanto que soam igualmente autoritários como aparentam ser adeptos de Bolsonaro e Haddad, o primeiro como resposta a tudo o que aí está, e o segundo acenando mais políticas inclusivas.

Despreza-se de maneira sistemática o fato de estarmos em democracia integral desde 1989 e até antes nos últimos impulsos do regime militar já suficientemente abrandado. Poderes operam a todo vapor como se agora na nova fase de enquadramento do presidente Michel Temer, por força da questão portuária, como se já não bastassem as duas cargas da PGR, Procuradoria Geral da República, que a Câmara Federal rejeitou e pelas quais responderá, sem foro privilegiado, ao deixar o governo.

Há quem ache exagerado o clima punitivo gerado pela Lava Jato, mas o fato é que alguns pelo menos dos seus alegados excessos têm encontrado resistência na instância superior. Nota-se, porém, que em nossa história nunca tivemos tanta ação sistemática contra a impunidade e a corrupção. Os troféus estão aí como o ex-presidente Lula, o ex-governador do Rio, Sergio Cabral, o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e especialmente os derrotados do último pleito.

Transição
No encontro desta quarta-feira (17) entre a governadora e seu sucessor se deram os primeiros passos para o ritual da transição. A governadora pretendia que as demarches ocorressem a partir de dezembro, e Ratinho Junior deseja antecipação. Se não chegarem aí a um acordo tudo mais será bem mais difícil. Na quarta mesmo Ratinho esteve com seu candidato, Bolsonaro.

Bons sinais
Isso nada tem a ver com a homenagem de terça-feira (16) da Associação Comercial a Michel Temer, presidente da República, mas o tom reformista parece ter predominado entre as razões e agora tivemos mais um sinal, tímido, mas relevante, de que a situação melhora: as vendas no varejo em agosto foram 7,43% acima das de julho, e no ano, conforme a Fecomércio, tivemos um aumento de 6%.

Debate
Se o debate formal não sai até porque não convém para o líder das pesquisas, as redes sociais atendem, em parte, essa aspiração do público pelo Twitter. Estão se xingando, com Jair Bolsonaro chamando o petista de poste, e esse retrucando para que não fuja do debate. A exploração da fala de Cid Gomes atacando o PT foi contestada na justiça eleitoral com o cearense se tocando da mancada que deu. Na troca de agressões o Haddad firmou posição no fato de que Bolsonaro tinha o apoio de David Duke, ex-líder da terrorista KKK, Ku Klux Klan.

HC preventivo
O ex-governador Beto Richa e o seu irmão José Richa Filho, o Pepe, ingressaram com pedido de habeas corpus preventivo no Tribunal Federal Regional da 4ª Região. Como há cerca de sete processos em trâmite, dois deles sob sigilo, os advogados se valem dos fundamentos da decisão do ministro Gilmar Mendes para impedir nova prisão. Ocorre que novas prisões poderiam centrar-se em outros fundamentos que não os anteriormente invocados.

Guaratuba
Muita gente se lembrou de Sucupira com a atitude do prefeito de Guaratuba anunciando punição na equipe por causa da baixa votação do pai, Nelson Justus. O coronel Odorico Paraguaçu era o bem amado e pelo jeito o burgomestre praieiro é mal amado.

Aliança negada
Embora importante o apoio do tucano João Doria a Bolsonaro, o senador eleito Major Olímpio não admite a aproximação e prefere até a neutralidade porque a opção contrária contamina.

Avaliações
É mais ou menos um consenso que Fernando Haddad teria mais dificuldades para entender-se com as bancadas da Câmara Federal do que Bolsonaro, embora este descarte ideia de coalizão.

Canábia
O fato de o Canadá legalizar a maconha para uso recreativo levou adeptos da descriminalização a chamarem o país de Canábia por seguir a linha do primeiro, que foi o Uruguai. Ocorre que o Canadá figura entre as dez maiores economias do mundo. Isso dá status.

Folclore
A radiofonia explorava o suspense das apurações manuais, lentas, das eleições secção por secção. Tanto que a Rádio Cultura tinha um teaser inaplicável nos dias atuais: "Urna aberta, notícia no ar". As apurações levavam semanas para serem concluídas.

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