Agência EstadoOs eleitosO novo presidente da Câmara, Michel Temer, ao lado do novo presidente do Senado, Antonio Carlos MagalhãesO deputado Michel Temer (PMDB-SP) foi eleito ontem presidente da Câmara dos Deputados prometendo dar continuidade às reformas da Constituição. Ele definiu como prioridade, logo após o segundo turno da votação da emenda da reeleição, a reforma administrativa. Temer obteve 257 votos, contra 119 dados a Wilson Campos (PSDB-PE) e 111 a Prisco Viana (PPB-BA). Foram registrados 14 votos em branco e 3 nulos. Compareceram 504 dos 513 deputados.
Os 257 votos dados a Temer, candidato oficial do governo à sucessão de Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), representaram o número exato para se garantir a maioria absoluta (metade mais um dos 513) da Câmara. As oposições e os defensores das candidaturas de Wilson Campos e Prisco Viana haviam preparado recursos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar uma possível vitória do candidato do governo por número menor de votos. A interpretação de Luís Eduardo, de que era necessária apenas a metade mais um dos votos dos presentes receberia pelo menos três ações contrárias.
O ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, comemorou a vitória de Temer no primeiro turno. ‘‘Foi excepcional, estupenda’’, disse ele. Santos afirmou que agora o governo vai trabalhar com ‘‘três’’ temas: ‘‘acelerar, acelerar e acelerar’’. Ele calculou que a reforma administrativa começará a ser apreciada pelo plenário da Câmara o mais tardar no início de março. O líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA), também fez cálculos muito parecidos. Uma coisa está certa: o segundo turno da emenda da reeleição será votado ainda em fevereiro.
A votação obtida por Michel Temer ficou bem abaixo dos números calculados pelo alto comando de sua campanha e pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta. Estes acreditavam que o líder do PMDB conseguiria entre 280 e 320 votos. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) disse que o número menor de votos de Temer deveu-se a dois fatores: a votação quase maciça da esquerda em Prisco Viana e a opção de parlamentares do PSDB pelo consolo a Wilson Campos.
Henrique Alves foi, de todos os aliados do governo, o que viveu de perto o maior sufoco com a votação de Temer. Ele era o encarregado pela Mesa da Câmara de fazer a contagem dos votos do candidato do PMDB. Faltava abrir apenas seis envelopes e Temer empacou nos 256. ‘‘O Luís Eduardo leu três votos brancos, mais um para Prisco Viana e eu não aguentei: pelo amor de Deus, tira um para o Temer’’, contou o deputado. O voto veio, em penúltimo lugar. Houve comemoração de plenário. Luís Eduardo abriu o último envelope. Era um voto para Wilson Campos.
O deputado Saulo Queiroz (PFL-MS) calculou ‘‘traição’’ em cerca de 25% dos votos esperados por Michel Temer. A esquerda também ‘‘traiu’’. Os deputados Hélio Bicudo (PT-SP) e Nedson Micheletti (PT-PR) declararam o voto em Temer. Paulo Delgado (PT-MG) contou aos amigos que também deu o voto em Temer, segundo narrativa de Chico Vigilante (PT-DF), que apoiou abertamente Wilson Campos. Este, que se autoqualificou de ‘‘bom companheiro’’, deixou a Câmara muito decepcionado, porque esperava obter mais de 200 votos. Sua pressão subiu e ele foi atendido em casa.

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