Temer vai propor a cassação de Brígido
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segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Agência Estado
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Ele de novoBrígido: além de alugar o mandato, deputado é acusado de tirar dinheiro de funcionáriosO presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), vai propor hoje, na reunião da Mesa Diretora, a abertura de processo contra o deputado Chicão Brígido (PMDB-AC) por falta de decoro parlamentar. Acusado de vender seu voto por R$ 200 mil para ajudar a aprovar a reeleição, Brígido está envolvido em outra denúncia, desta vez a de alugar seu mandato e reter parte do salário pago aos funcionários de seu gabinete. A denúncia foi publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo.
Chicão Brígido foi acusado por sua suplente Adelaide Neri (PMDB-AC) de cobrar metade da ajuda de custo de R$ 16 mil paga aos deputados durante a convocação extraordinária de julho, quando estava licenciado da Câmara. O deputado foi acusado também de pegar de volta a maior parte do salário pago a dois funcionários seus, Crispiniano Velame e outra conhecida como Marineide. Dos R$ 3 mil brutos registrados, os funcionários recebiam R$ 600,00 líquidos.
Michel Temer quer acelerar o início do processo de perda de mandato, mas pretende esperar a confirmação, pelo deputado, da acusação de estar alugando o mandato. O processo sumário previsto por Temer implica no envio de uma representação da Mesa Diretora contra o parlamentar direto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), dispensando assim a abertura de sindicância pela Corregedoria da Câmara, como ocorre tradicionalmente.
Apesar de Chicão Brígido já esta sendo processado na CCJ pela venda de voto, a Câmara tem de abrir novo processo contra ele por se tratar de temas distintos. O depoimento de Brígido na comissão para explicar as denúncias de que teria vendido seu voto está marcado para o dia 21, com os outros dois colegas denunciados. O presidente da CCJ, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que os dois assuntos correrão distintos na CCJ, porque o regimento não permite sequer que deputados façam perguntas ao denunciado que não sejam pertinentes ao suposto crime pelo qual está sendo investigado.
Os processos que tramitam na CCJ contra o deputado Brígido e seu colegas Osmir Lima (PFL-AC) e Zila Bezerra (PFL-AC), por compra de votos, tiveram origem depois que uma comissão de sindicância instalada por Temer concluiu pela cassação dos mandatos dos três. Processo idêntico contra o deputado Pedrinho Abrão (PTB-GO), já aprovado pela CCJ, teve de passar também por uma sindicância. Todo pedido de abertura de processo tem de ser votado pela Mesa Diretora e somente esta instância pode enviar à CCJ representação contra parlamentares por falta de decoro.
Embora Michel Temer queira dar uma tramitação rápida ao processo contra Brígido, os outros processos para perda de mandato envolvendo a compra de votos continuam em andamento lento. O relator na CCJ, deputado Nelson Otoch (PSDB-CE), espera apresentar seu relatório até final de setembro. Somente depois de ouvidos os deputados podemos entrar no mérito da avaliação, disse Otoch.
O novo escândalo contra o deputado Chicão Brígido preocupa os líderes políticos da Câmara. O líder do governo, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ligou para Henrique Alves à tarde. Integrantes da CCJ vêem com dificuldades a cassação dos três deputados, por falta de provas. Ninguém veio acusar os deputados aqui na comissão, só vieram depor aqueles que se defenderam, observou um parlamentar.
No gabinete de Chicão Brígido, o funcionário Crispiniano Velame, identificado por Crispim, não quis confirmar as acusações contra seu chefe, mas também não desmentiu. O funcionário disse que é pai de família e tem medo de perder o emprego.


