Brasília - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai tentar um acordo entre o governo e a oposição para a retirada do regime de urgência na tramitação das propostas dos projetos do marco regulatório do pré-sal imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de fixar um calendário para a votação das propostas. A alternativa que será discutida hoje prevê a conclusão da votação pela Câmara em um prazo próximo de 60 dias.
''Eu vou tentar um caminho que pode suspender a obstrução'', afirmou Temer. ''Vou conversar com os líderes do governo e com os líderes da oposição. Se houver acordo, ele será fielmente cumprido e eu serei o fiador'', completou. Temer lembrou que a retirada do regime de urgência depende do presidente Lula. A intenção é facilitar as votações na Casa que vem sendo obstruídas pelos partidos de oposição, DEM, PPS e PSDB. Os projetos chegaram à Câmara na semana passada, mas até agora, a discussão tem sido centrada na tramitação das propostas.
O líder do PT, Cândido Vaccarezza (SP), avaliou que o fato de o debate estar na urgência da tramitação é um fator político que deve ser encarado pelo governo dessa forma. ''Se interessar politicamente ao governo dar vitória à oposição nesse caso, o governo vai retirar a urgência e fixar um calendário'', afirmou o líder petista. Ele argumentou que a falta de quórum na sessão de ontem, que impediu a votação de medidas provisórias, não altera a disposição do governo. Ele lembrou que houve problemas nos aeroportos por causa do mal tempo e feriado ontem que contribuíram para a obstrução.
Os partidos de oposição marcaram para amanhã a tarde uma reunião para avaliar o quadro político com os presidentes dos três partidos, PSDB, DEM e PPS, e com os líderes das legendas na Câmara e no Senado.

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