A sessão de posse dos deputados na Câmara foi tumultuada. Deputados que foram empossados tiveram dificuldade para entrar no plenário lotado por parentes de parlamentares. Muitos deputados tiveram de se espremer no corredor e à frente da mesa. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que hoje também deve ser reeleito para o cargo, teve de pedir silêncio por várias vezes para ouvir o juramento dos deputados que tomavam posse.
Além de familiares de parlamentares, alguns lugares foram ocupados por ministros de Estado e embaixadores. A deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), assassinado em 16 de dezembro, foi homenageada. Temer pediu um minuto de silêncio em homenagem à deputada, morta no dia em que foi diplomada por sua reeleição. Temer declarou o cargo de Ceci vago. O suplente da deputada, Talvane Albuquerque (sem partido-AL), será chamado para assumir o mandato amanhã, último prazo constitucional que a Câmara tem para convocá-lo. Albuquerque é o principal suspeito de mandar matar a deputada. Neste mês, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara deverá iniciar o processo de cassação de Albuquerque por falta de decoro parlamentar.
Dos 513 deputados eleitos, apenas o deputado Paulo Marinho (PSC-MA) não tomou posse. O deputado tenta na Justiça assumir o mandato. Ele foi impedido de tomar posse por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O presidente do STJ, Antônio de Pádua Ribeiro, suspendeu os direitos políticos do deputado por seis anos e restabeleceu decisão anterior da Justiça que o condenou a indenizar o município maranhense de Caxias em R$ 381 mil mais o pagamento de uma multa.
Durante o período em que foi prefeito de Caxias, entre 1993 e 1996, Marinho vendeu ações que o município possuía na Companhia Energética do Maranhão (Cemar). A operação trouxe um prejuízo de R$ 381 mil já que a receita não deu entrada na contabilidade municipal. Marinho tinha sido condenado por um juiz de primeira instância, mas o Tribunal de Justiça do Estado havia suspenso a condenação.
Michel Temer deverá continuar presidente a Câmara. Ontem, o presidente Fernando Henrique Cardoso interferiu diretamente para que os partidos da base aliada na Câmara formalizassem um acordo com o objetivo de reconduzir o deputado paulista à presidência da casa e compor os cargos da Mesa Diretora e das comissões. A eleição da nova mesa acontece durante a sessão de hoje. Com o acordo fechado no fim da tarde de ontem, será respeitada para o preenchimento dos cargos a proporcionalidade das bancadas eleitas em 4 de outubro.
A decisão acabou segurando, pelo menos durante o dia de ontem, a migração de mais de 20 deputados para outros partidos. Eles haviam pedido à Secretaria-Geral da Câmara a mudança de legenda. A negociação entre os líderes aliados foi tensa. Revoltados com o PMDB, que havia conseguido aumentar a bancada em mais de dez deputados, o PSDB, o PFL e o PPB ameaçaram lançar a candidatura do líder do PFL, Inocêncio de Oliveira (PE), à presidência da Câmara, contra Temer.
Mesmo com a trégua, a mudança de partidos será grande. Só o PPB deve perder pelo menos dez deputados. Líderes do partido esperavam conseguir outros seis deputados para compensar as baixas. O PST deverá ter cinco deputados, todos da bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. A idéia é formar um novo bloco independente entre o PL e o PST, com 19 deputados. O PMDB deverá ganhar mais de dez deputados. Já o PSDB e o PFL também devem crescer, mas em proporções menores.
Até ontem, foram homologados 13 pedidos de mudança de partido. Na sexta-feira, foram homologados os pedidos dos deputados Carlos Batata (PE), que trocou o PSB pelo PSDB; José Gomes da Rocha, que trocou o PSD pelo PMDB, e Paulo Marinho, do Maranhão, que saiu do PSC para o PFL. Foram para o PST Valdeci Paiva, que era do PSDB no Rio; De Velasco (SP), que era do Prona; Paulo José Gouveia (RS), que era do PTB, e Marcos de Jesus (PE), também do PTB.
Também mudaram de partido Bispo Rodrigues (RJ), que trocou o PFL pelo PL; Bispo Wanderval (SP), que trocou o PTB pelo PL; Almeida de Jesus (CE), que deixou o PMDB pelo PL; Eliseu Moura (MA), que deixou o PL e foi para o PPB; Silas Câmara (AM), que mudou do PL para o PFL, e Renildo Leal (PA), que saiu do PMDB para o PTB.

mockup