Temer se consolida como favorito na Câmara
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Denise Madueño<br> Agência Estado 
Brasília - O apoio de 14 partidos reafirmado ontem com a criação de um bloco parlamentar com 426 deputados, levou o candidato à presidência da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) a se consolidar como favorito para a sucessão de Arlindo Chinaglia (PT-SP) na presidência da Câmara. A eleição será na próxima segunda-feira com outros três candidatos na disputa: Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Osmar Serraglio (PMDB-PR).
Prevejo o dia 2 com vitória, mas vou aguardar, disse Temer ao lado de líderes e representantes dos 14 partidos que o apoiam. A criação do bloco ontem foi mais um movimento para mostrar força política. Ele concentra 83% do total de deputados da Casa, mas o número não significa votos automaticamente. Os outros candidatos apostam na dissidência que poderá levar a eleição para o segundo turno e alterar a correlação de forças na disputa. Na análise dos adversários de Temer, o apoio institucional dos partidos faz do candidato o favorito, mas não decide a eleição.
Rebelo, Nogueira e Serraglio continuam em campanha procurando falar com cada um dos deputados na busca de votos. Eu também posso dizer que prevejo vitória no dia 2, reagiu Serraglio, consciente de sua posição de desvantagem no momento. Ele se diz convicto de que a eleição será decidida em dois turnos, quando nenhum dos candidatos consegue a maioria absoluta dos votos, incluindo os brancos.
Temer subestimou os efeitos das traições, que se tornaram habituais nas votações secretas no Congresso. Nossos colegas são sérios. Tenho absoluta convicção do risco zero (de traição), disse Temer. Ele completou, provocando risos: Se tiver, será a meu favor. Na conta dos aliados de Temer, a disputa se encerrará no primeiro turno com o candidato obtendo mais de 350 votos. O apoio dos 14 partidos foi resultado de uma articulação que envolveu a distribuição dos demais cargos na Mesa.
A formação do bloco, no entanto, libera todos os deputados das 14 legendas para disputar os cargos da Mesa. Isso significa que o cargo que foi, por exemplo, destinado ao PTB na chapa articulada por Temer, poderá ter deputados de outras legendas do blocão na disputa. É o que pretende fazer a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), que está em campanha para a quarta secretaria.
O blocão poderá ocupar 10 dos 11 cargos (7 titulares e 4 suplências). O PT ficará com dois: a primeira vice-presidência e a terceira secretaria. O DEM ficará com a segunda vice-presidência. No acordo, coube ao PSDB a primeira secretaria, ao PR a segunda secretaria e ao PTB a quarta secretaria. As suplências deverão ser ocupadas por deputados do PV, do PDT e do PPS. Um dos trabalhos dos líderes partidários até segunda será garantir que os indicados oficiais desses partidos obtenham os votos para se elegerem. Formam o blocão os seguintes partidos: PMDB, PT, PSDB, DEM, PPS, PTB, PR, PDT, PV, PSC, PRB, PHS, PTC e PT do B.


