Temer: 'reforma não é necessária'
Agência Estado
Do Rio
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), rebateu ontem declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que é necessário fazer reformas para que haja desenvolvimento e emprego. Agora, é hora de executar; já não se cuida mais de simplesmente legislar, disse Temer. As reformas já foram feitas e só falta a tributária, para a qual estamos pedindo o apoio do governo.
Temer, que participou ontem da abertura da 17ª Conferência Nacional dos Advogados, no Rio, disse que, depois de aprovada a lei de responsabilidade fiscal, não haverá mais reformas para fazer. Já votamos a regulamentação da reforma administrativa e, nas próximas semanas, vamos votar as três leis que regulamentam a reforma da Previdência, apontou.
Ele defendeu a permanência do ministro da Fazenda, Pedro Malan, mesmo que o governo dê ouvidos às críticas sobre a política econômica que vêm partindo de sua própria base. O redirecionamento da economia pode ser feito pelo ministro Malan e não acho que ele tenha de deixar o cargo por causa disso, afirmou Temer.
Para o deputado, Malan fez um bom trabalho na condução da estabilidade da moeda. Ele, talvez, seja a pessoa mais adequada para fazer a transição para o desenvolvimento, para a proteção à indústria nacional, para o incentivo financeiro à produção e para a assistência à pobreza, enumerou. Temer voltou a endossar a posição do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), que, no final de semana, defendeu a mudança na política econômica.
Nós do PMDB e eu, especialmente, temos falado disso com insistência nas últimas quatro a cinco semanas, lembrou. Acho que o governo está recebendo um alerta de que a idéia da estabilidade da moeda não é mais suficiente para o País.
O presidente da Câmara disse não acreditar que as críticas de Jereissati e do governador de São Paulo, Mario Covas (PSDB), signifiquem um racha no partido do presidente. As raízes tucanas e de afeto deles com o presidente são profundas, afirmou.
Mesmo na oposição, ninguém está festejando a posição dos dois governadores do PSDB como uma discordância irreversível. É cedo para falar em racha, avaliou o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).





