Temer promete aumento de salário
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quarta-feira, 22 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
O candidato do PMDB à presidência da Câmara, Michel Temer (SP), nem tocou na emenda da reeleição no discurso de lançamento de sua campanha, feito ontem da tribuna. Ele foi buscar os votos onde eles estão: no baixo clero. Prometeu aumentar a verba do gabinete parlamentar, reavaliar o salário dos deputados, criar um canal de TV a cabo para a divulgação das atividades da Câmara e fortalecer a Procuradoria Parlamentar.
Por duas vezes Temer foi aplaudido: quando falou da reavaliação dos salários e do uso da Procuradoria-Parlamentar para a defesa de deputados que forem agredidos injustamente. Ele disse que apóia o governo porque seu partido, o PMDB, reuniu o conselho político e decidiu dar apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O que desejavam? perguntou. Que, embora líder desse partido aliado, fizesse oposição? Que me posicionasse contra todas as teses do governo?
No discurso, Temer prometeu que como presidente da Câmara terá atuação independente, por que seu cargo será muito mais executivo. O regimento da Câmara determina que o presidente sempre vote abstenção, lembrou. E o comando jurídico para que a presidência não se envolva nas discussões. Segundo ele, o presidente da Câmara deve ser sempre o condutor do processo de debate.
O discurso de Michel Temer foi encarado ontem na Câmara - e, por extensão, no Senado -, como o fato político do dia. Há muito o candidato do PMDB vinha sendo cobrado pelo PFL, pelo PSDB e pelo governo para que assumisse uma campanha mais agressiva. Há um temor entre os partidos aliados quanto a um possível sucesso de outras duas candidaturas à presidência da Câmara, a de Wilson Campos (PSDB-PE), do baixo clero, e a de Prisco Viana, ligado ao ex-prefeito Paulo Maluf, que pode receber os votos das esquerdas. Prisco vai lançar sua candidatura hoje, às 15 horas, em discurso, também da tribuna da Câmara.
Temer diz que vai
aumentar a
verba do gabinete
dos parlamentares
O PMDB, partido que produziu uma enorme confusão no calendário de votação da emenda constitucional que permite reeleger presidente da República, governador e prefeito, procurou dar todo apoio a Michel Temer. No caminho do gabinete da liderança até o plenário - cerca de 100 passos por um tapete verde - Temer foi acompanhado pelo presidente do partido, Paes de Andrade (CE), por seu fiel aliado, o deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP), e pelos vice-líderes Odacir Klein (PMDB-RS), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RS), Eliseu Padilha (PMDB-RS) e até por novatos, como Colbert Martins (PMDB-BA), que assumiu o cargo no início do mês.
Temer iniciou o discurso na defensiva. Dizem que não sorrio, afirmou. Que sou circunspecto, sisudo. Declarou que aqueles com os quais convive podem testemunhar o contrário. Depois, ele disse que este não deve ser o critério para se levar alguém à presidência da Câmara. Será o sorriso fácil, o tapinha nas costas, o agrado artificial que irá definir o voto de homens e mulheres que para cá vieram ancorados em milhares de votos de brasileiros preocupados com os destinos do País, com a seriedade das questões institucionais?
Como há muitas críticas ao comportamento do atual presidente, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), que só receberia amigos em seu gabinete, Temer tratou logo de mostrar que não vetará ninguém: Quero registrar que a presidência da Câmara não atenderá apenas aos senhores líderes e vice-líderes, relatores e presidentes de comissões, afirmou ele. Assumo o compromisso de receber todos os colegas e fica o compromisso de os deputados terem amplo acesso ao gabinete em qualquer horário para atendimento às suas reivindicações e postulações.
O candidato à presidência da Câmara fez um longo histórico do surgimento dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo como fator fundamental no combate ao absolutismo de monarcas que diziam representar na terra o poder divino. Ao falar das três premissas que vão orientar seu trabalho - justiça, respeito e igualdade -, Michel Temer prendeu-se, por mais tempo, na última. Ele quis dar um recado direto ao baixo clero. A igualdade será mais um valor a nos colocar no mesmo nível, procurando-se elevar o espírito público, evitando-se as diferenciações que, por vezes, criam bolsões.


