"Quem ouve o áudio, ainda assim, não verifica nenhum compromisso meu que permitisse esse processo", disse Temer, sobre a denúncia de Joesley Batista
"Quem ouve o áudio, ainda assim, não verifica nenhum compromisso meu que permitisse esse processo", disse Temer, sobre a denúncia de Joesley Batista | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil



Brasília - O presidente Michel Temer escalou aliados para mapear os deputados que traíram o governo durante a votação da denúncia na Câmara na quarta-feira (2). Temer conseguiu barrar a denúncia com 263 votos, mas previsões de integrantes da base aliada apontavam que esse número poderia chegar a 300 deputados.

Os responsáveis por fazer esse levantamento serão o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o vice-líder Beto Mansur (PRB-SP).

A ideia é que eles procurem conversar com os deputados que prometeram que votariam com o governo, mas que, na hora de declarar a posição no plenário, mudaram de ideia.

Entre as traições inesperadas estão, por exemplo, Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que faz parte da bancada ruralista, e do cantor Sérgio Reis (PRB-SP), que estava sendo pressionado pela legenda a votar com o governo.

Os líderes também vão buscar descobrir o motivo de cada um dos 16 deputados que se ausentaram do plenário e não participaram da votação. Há nomes que eles já sabem o porquê, como o do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que ainda está magoado com o governo depois de ter sido demitido do Ministério da Justiça.

Segundo Beto Mansur, a ideia não é fazer uma "caça às bruxas", mas ter uma noção real do tamanho da base aliada após a votação. "Nós vamos fazer uma análise, não é uma caça às bruxas de jeito nenhum, até porque não é minha função fazer isso. Vamos fazer um levantamento para saber o tamanho da base e nos prepararmos para votações futuras", disse.

"PROCESSO KAFKIANO"
O presidente Michel Temer afirmou que tem vivido um "processo kafkiano" e ressaltou que têm sido derrotados todos aqueles que querem afastá-lo do comando do Palácio do Planalto. O peemedebista disse que a denúncia por corrupção passiva que poderia afastá-lo temporariamente do cargo não tem um "motivo sólido" e que se trata de um processo que "ninguém sabe bem o porquê" ou "por que prosseguiu".

A declaração, feita em entrevista à BandNews, é uma referência à obra "O Processo", do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924), na qual um funcionário de uma instituição financeira é acusado de um crime que ele não sabe qual é.
A acusação contra o peemedebista foi apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e foi em parte baseada em áudio de conversa com o presidente gravado pelo empresário Joesley Batista, da JBS.

"Eu vou ser um pouco talvez piegas, mas parece uma coisa kafkiana. Começa com um processo para retirar o presidente sem um motivo sólido. Sabe a história da gravação feita por um cidadão que havia confessado milhares de crimes? Foi muito bem urdida e articulada", disse.

Temer disse ainda que a "ideia kafkiana" está na apresentação de uma acusação que apresenta o presidente como se fosse "um grande corruptor" e o empresário como "o santo da história".

"Ao longo do tempo, tem havido a derrota de todos os que querem ver prosperar a possibilidade de afastamento do presidente da República", disse.

O peemedebista afirmou ainda que a gravação da conversa foi "ilícita" e não apresentou "fatos comprometedores". Segundo ele, "qualquer estudante do terceiro ano de direito" diria que a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é "inepta".

"Quem ouve o áudio, ainda assim, não verifica nenhum compromisso meu que permitisse esse processo", disse.

Na entrevista, o presidente disse ainda que, em uma reforma politica, é favorável ao voto distrital e cláusula de barreira. Ele avaliou ainda que "não seria despropositado" discutir a adoção do parlamentarismo já em 2018.
"Eu acho que podemos pensar em um parlamentarismo para 2018. Acho que não seria despropositado", disse. (Colaborou Gustavo Uribe/Folhapress)

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