Brasília - O presidente Michel Temer disse nessa quinta-feira (9) que muitos vão se surpreender com seu governo. A declaração o ocorreu durante o lançamento do Programa Avançar, que pretende retomar obras paradas nos últimos anos no país. O Avançar é tido como uma versão repaginada do PAC (programa de aceleração do crescimento), lançado na gestão Lula em 2007 para retomada e execução de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética do país.

Sem citar nomes, Temer criticou aqueles que "pregam a paralisação do governo" e afirmou que fará "muito mais". "Esse é um governo que não para. Se em 17 meses fizemos tudo, aqueles que pregam a paralisação do governo vão se surpreender. Nós fizemos o que pudemos até hoje com grande efetivo resultado. Mas agora vamos fazer muito mais com o Programa Avançar", disse o presidente.

Temer fez uma rápida avaliação dos cinco meses em que enfrentou a tramitação das denúncias feitas contra ele pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Agora, com as denúncias rejeitadas na Câmara dos Deputados, ele afirmou que "a verdade veio à luz".

"O que houve foram, digamos assim, tentativas de natureza pessoal e moral, hoje desmascaradas. Desde o início, eu dizia em pronunciamento próprio: 'as coisas são assim, assim, assado'. E o assado chegou agora. As coisas estão vindo à luz. A verdade veio à luz". O presidente negou ainda que o Brasil tenha parado nesse período.

"Esses cinco meses foram de muita preocupação de uma suposta crise política. Pois foram precisamente os meses em que o Brasil, tendo vencido ou debelado, minimamente que fosse, a recessão, como aqui foi mencionado, foi o momento em que o Brasil, preparado que estava, começou a crescer. E cresceu muito."

RETOMADA DE OBRAS
Com o Avançar, o governo espera dar andamento a 7.439 obras paradas no país. São obras na área de mobilidade urbana, habitação, energia, dentre outras. A intenção é investir R$ 130 bilhões até o final de 2018. Mais de 3 mil municípios serão atingidos pelo programa e o governo garante que as obras serão concluídas nas datas previstas.

"O programa Avançar vai retomar obras inacabadas, paralisadas há anos. Obras com data para iniciar, data para entregar e com o orçamento garantido", afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Dyogo Oliveira, reforçou o discurso. "É um programa realista, condizente com a realidade que estamos vivendo e que se adequa aos tempos de austeridade e ajuste da economia."


Os recursos sairão de três fontes. Serão R$ 42,1 bilhões do orçamento geral da União; outros R$ 29,9 bilhões sairão do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A outra fonte virá de estatais do setor de energia, principalmente a Petrobras.

DESTAQUES
Dentre obras nas rodovias, o governo destaca o trecho norte do Rodoanel de São Paulo, a duplicação da BR-381 em Minas Gerais, a pavimentação da BR-163, no Pará e a duplicação da BR-101, nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

O programa também contempla o complexo aeroportuário dos aeroportos de Vitória (ES) e Maringá, além do terminal de passageiros do aeroporto de Vitória da Conquista (BA).

No Paraná, 294 obras foram selecionadas, com investimento de R$ 7,5 bilhões, entre elas, melhorias em creches, escolas, moradias, unidades básicas de saúde, quadras poliesportivas e cidades digitais. Estão previstas ainda obras de duplicação de rodovias, pavimentação, esgotamento sanitário e abastecimento de água.

Na área de recursos hídricos, serão retomadas obras do projeto de integração do Rio São Francisco. Segundo o governo, o projeto de integração vai beneficiar 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Estão previstas também obras do metrô, linha 2, em Salvador; e 23 km do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no Rio de Janeiro. Além disso, a extensão sul da ferrovia Norte-Sul, de Ouro Verde (GO) até Estrela d'Oeste (SP). O ministro do Planejamento reforçou que não se trata de um programa de obras novas. Só foram incluídas obras já iniciadas.

"Não serão novas obras. São aquelas que estão em andamento e que vamos concluir. Esse é conceito do programa. Foi selecionado um conjunto de obras pela efetiva capacidade de executá-las. Os recursos são os que já estão previstos no orçamento deste ano e do ano que vem."

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