Curitiba - O presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), iniciou ontem em Curitiba uma campanha política pela aprovação de uma reforma política que contemple o voto majoritário e a fidelidade partidária. Temer esteve na capital paranaense para dar uma palestra sobre Reforma Política aos conselheiros e técnicos do Tribunal de Contas (TC) do Estado. A idéia é estabelecer continuidade. Os parlamentares seriam eleitos pelo número de votos e acabaria a proporcionalidade e o voto de legenda. Os candidatos mais votados é que seriam eleitos. Mas o mandato seria dos partidos políticos e não dos deputados por um prazo de três anos. O parlamentar só poderia mudar de partido no último ano antes da eleição.
Além da proposta defendida ontem por Temer, ainda estão em discussão a proposta do voto distrital misto (onde se vota metade em lista fechada e metade em candidatos de regiões eleitorais pré-definidas dentro dos estados) e do voto distrital puro (só seriam eleitos os parlamentares regionais). As três propostas ganharam peso na reforma política após a Câmara Federal ter rejeitado o modelo de lista fechada e lista fechada flexível - que tinham como objetivo o fortalecimento dos partidos e o financiamento público de campanha. ''A reforma política é como a tributária. Cada um tem uma na cabeça. Mas os políticos têm na cabeça uma reforma política que serve aos seus próprios interesses. Na verdade, eles precisam entender que a gente está lá como servos do povo, eleitos para administrar os interesses populares'', analisou Temer.
O parlamentar evitou falar da corrupção no Congresso Nacional e dos peemedebistas envolvidos em escândalos (casos dos senadores Joaquim Roriz e Renan Calheiros). ''Vamos aguardar as conclusões das investigações do Senado. Essa é uma questão que passa por decoro parlamentar. O PMDB não vai se envolver, como instituição, nessa questão. Acho que eles deveriam ser julgados rapidamente para evitar o desgaste do próprio Senado. Só tenho a dizer que a verdade é que eles foram feridos publicamente. Se mais tarde se conseguir provar a inocência deles, a vaca pode ter ido para o brejo.''
Temer criticou o vazamento de informações e conversas telefônicas para a imprensa. Ele frisou que acha importante que as investigações sejam realizadas. Mas defende que o vazamento de informações deveria ser punido. ''Não há nada mais desagradável e agressivo do que ouvir a conversa de duas pessoas que não sabem que estão sendo gravadas. Hoje os órgãos de fiscalização podem gravar 800 linhas ao mesmo tempo. É uma agressão à intimidade extraordinária. Todo mundo tem medo de ser gravado e ser mal interpretado. Não fico preocupado com as investigações, mas com o vazamento das informações. Temos que impor penas aos que contrariam o sistema jurídico. Não é que o fato não deva ser noticiado, mas sou do tempo em que o juiz só falava nos autos'', declarou o parlamentar - que é professor de direito constitucional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

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