Temer garante ter votos para aprovar impeachment
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Mariana Haubert, Gabriel Mascarenhas e Gustavo Uribe<br>Folhapress 

Brasília - Na véspera do início do julgamento final do impeachment de Dilma Rousseff, o presidente interino Michel Temer deu pela primeira vez uma declaração pública em que indica estar seguro de que já tem os votos necessários para que assuma definitivamente o poder. Questionado nessa quarta (24) na saída de um evento sobre quantos votos acredita ter a seu favor, Temer foi direto e sucinto: "Cinquenta e quatro". Para que Dilma tenha o mandato cassado, é necessário o voto de pelo menos 54 dos 81 senadores no julgamento que começa nesta quinta (25) e deve ser concluído no dia 30 ou na madrugada do dia 31.
Apesar de trabalhar intensamente pela aprovação do impeachment, e nos bastidores contar com um apoio maior do que os 54 votos necessários, o peemedebista nunca havia explicitado a certeza da vitória. A expectativa do Planalto, nos bastidores, é ter até 63 votos pelo impeachment - quatro a mais em relação à votação que deu aval para o julgamento da petista. Para chegar a esse placar estimado, o governo tem trabalhado, por exemplo, para conseguir o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e dos senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Elmano Férrer (PTB-PI).
O primeiro não votou e os dois últimos se posicionaram contra o afastamento.
O julgamento final acontece nove meses após o ex-presidente da Câmara e hoje deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-AL) ter acolhido o pedido de impeachment.
Dilma está afastada do cargo há quase quatro meses, desde que o Senado aceitou o processo e Temer assumiu interinamente a Presidência. Ela é acusada de editar, em 2015, decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso e de usar dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas "pedaladas fiscais".
JULGAMENTO
Esta última etapa do processo será comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e começará com a apresentação de "questões de ordem", que são pedidos feitos por senadores sobre o trâmite do processo. Em seguida, começará a oitiva de oito testemunhas: duas da acusação e seis da defesa. As testemunhas ficarão isoladas em um hotel de Brasília, sem acesso a internet e celular. As diárias serão pagas pelo Senado.
Os parlamentares da base aliada combinaram que apenas os líderes partidários farão perguntas para elas. A ideia é acelerar os depoimentos e evitar que a Casa trabalhe no fim de semana.
Os senadores da base, no entanto, não conseguiram chegar a um acordo ainda sobre como procederão na próxima segunda (29), quando Dilma apresentará sua defesa pessoalmente.
Como perguntas repetidas não poderão ser feitas, segundo regra definida por Lewandowski, aliados de Temer combinaram questionamentos entre eles. O ministro e os advogados de cada lado também poderão perguntar.
Se o impeachment for confirmado em votação, Dilma será notificada sobre a decisão e Temer deverá ir ao Congresso para ser empossado.
SEGURANÇA
A segurança na Esplanada dos Ministérios durante o julgamento de Dilma, a partir de hoje, contará com até 1.332 policiais militares, segundo informou a secretária de Segurança Pública do Distrito Federal, Márcia de Alencar. Enquanto durar o julgamento, a segurança contará também com 100 bombeiros e 100 policiais legislativos. A partir de zero hora de segunda-feira (29), o trânsito será bloqueado na Esplanada até o término da votação do impeachment. Caso haja um fluxo maior de pessoas nos primeiros dias, o trânsito será interrompido. O Congresso Nacional, Palácio do Itamaraty e o Ministério da Justiça serão isolados. Não haverá passagem entre a Câmara dos Deputados e Senado Federal, durante o julgamento.(Com Agência Brasil)


