Nem a ameaça do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de cortar parte do salário dos deputados que faltarem às sessões desta terça, quarta e quinta-feira deixou animados os líderes dos partidos aliados ao governo. A retomada da votação de pontos polêmicos da reforma administrativa, como a quebra da estabilidade, só ocorrerá com 480 deputados em Brasília, mas como esta é a semana das festas de São João os líderes esperam, no máximo, 450 políticos. E a reforma fica para a próxima semana.
A quarta-feira deverá ser muito barulhenta, com a Câmara votando o projeto da deputada Marta Suplicy (PT-SP) propondo a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Representantes das cúpulas das igrejas cristãs reuniram-se no gabinete do segundo vice-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE), para estudar as formas de pressionar os deputados a rejeitar a proposta.
Severino Cavalcanti atacou o projeto de Marta Suplicy. ‘‘A união homossexual não é e jamais será aceita pelo povo brasileiro.’ Durante discurso, Cavalcanti olhou para o deputado José Lourenço (PPB-BA) e perguntou se ele votaria a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Lourenço balançou a cabeça e fez o sinal de negativo. Em seguida, Cavalcanti viu o deputado B. Sá (PSDB-PI) a quem perguntou: ‘‘O senhor terá coragem de chegar lá no Piauí e dizer que votou a favor do projeto gay?’ Sá não respondeu.
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), afirmou que pessoalmente é favorável à aprovação do projeto de Marta Suplicy. Mas lembrou que, se for procurado pela cúpula da Igreja Católica terá de mudar o voto. ‘‘Sou muito amigo do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, do arcebispo de Brasília, dom José Freire Falcão, e do cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugênio Salles’’, disse o líder. ‘‘Se um deles pedir, posso mudar o voto.’
Com a reforma administrativa comprometida pelo provável baixo quorum e a polêmica reservada para um assunto de comportamento, os líderes vão tentar, pelo menos, ganhar tempo em algumas negociações. O líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), disse a Inocêncio Oliveira que uma das principais prioridades para a convocação extraordinária do Congresso em julho é a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) até dezembro de 1999.
A emenda é de aprovação difícil. Os prefeitos e os governadores estão pressionando os deputados a não votar a favor da prorrogação do FEF. O deputado Welson Gasparini (PSDB-SP), que dirige uma entidade municipalista, promete lotar o Congresso com 2 mil prefeitos no dia da votação do FEF.

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