Brasília Em nenhum outro período presidencial um governante assumiu o mandato reunindo condições plenas para promover reformas estruturais profundas como as que se apresentam a Luiz Inácio Lula da Silva. ''Nunca houve tanta vontade e disposição para cooperar'', disse à Agência Estado o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), responsável pela condução do acordo político interno desse partido, que permitirá a ampliação da base parlamentar de sustentação do governo em 20 senadores e 74 deputados.
O curioso no ambiente que está se formando no Congresso é a sua origem: ele não decorre da capacidade de articulação política do Palácio do Planalto, embora exista esforço real nesse sentido, e sim da compreensão, por parte dos parlamentares, de que reformas como a previdenciária, a trabalhista e a tributária tornaram-se essenciais para o relançamento da economia e a promoção do desenvolvimento sustentado, algo também inédito na história republicana.
A agenda de reformas da presidência Lula se tornou uma agenda nacional, de interesse de todos, por dois motivos principais, segundo explica o presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP), cujo partido já declarou pertencer ao campo da oposição. O primeiro é o espírito de continuidade das políticas que foram adotadas pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na área econômica. O PT percebeu, acredita ele, que não existe salvação fora do modelo de controle rigoroso da inflação, do orçamento equilibrado e do câmbio livre.
O segundo motivo é a aproximação conceitual que o PT fez do conteúdo de reformas difíceis e complexas, às quais se opôs nos oito anos de mandato de FH. ''Queremos essas reformas porque elas representam o que sempre pensamos e desejamos para que o País ganhe dinamismo e possa melhorar a situação dos brasileiros pobres'', diz Aníbal. O PFL e o PP, partidos de centro-direita, não ficam atrás.
Seus dirigentes também apoiam as reformas previdenciária, tributária e trabalhista, que não avançaram no governo passado. ''Somos oposição e não desistimos do nosso projeto de poder'', explica o deputado Vilmar Rocha (PFL-GO), presidente da Fundação Tancredo Neves, ''mas não seremos oposição sistemática ao que já defendemos, e muito menos oposição ao Brasil''.
O candidato à presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP), promete conduzir o PMDB a uma posição de ''apoio aprofundado'' ao governo e a trabalhar para ajudar Lula a modernizar as relações entre capital e trabalho. Mas Sarney, como o PSDB e o PFL, quer acelerar o processo decisório. ''O governo precisa mandar logo suas propostas'' disse Sarney na sexta-feira, durante o ato em que o PMDB anunciou o acordo mediante o qual ele será eleito presidente do Senado no dia 1º de fevereiro. O mesmo tipo de pressão vem do PSDB e do PFL. Todos temem os métodos decisórios demorados do PT, representado por reuniões de debates que parecem não ter fim.

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