Ortigueira - O presidente interino Michel Temer (PMDB) se esquivou ontem, após a inauguração de uma planta da Klabin em Ortigueira, de comentar a avaliação da comissão técnica do Senado Federal que concluiu que a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) é responsável pela liberação de créditos suplementares por meio de decreto, mas a isentou de ter cometido pedaladas fiscais no Plano Safra.
Em breve coletiva após a solenidade, Temer afirmou que o impeachment de Dilma é uma decisão dos senadores. "Estou aguardando as decisões do Senado Federal, que saberá fazer uma avaliação definitiva em relação a este tema". As acusações sustentam o pedido de impeachment que culminou no afastamento provisório da petista.
O peemedebista disse, entretanto, que não pode esperar a decisão do Senado para governar e que, por isso, atua como mandatário efetivo. "Não é a figura do presidente que vale, mas sim a instituição", justificou. Temer ressaltou, ainda, o apoio que tem obtido do Congresso Nacional, que tem "integração extraordinária" com o Executivo.
Como exemplo, o presidente em exercício ressaltou a celeridade na solução da dívida dos Estados com a União e do apoio à Emenda Constitucional (EC) para limitar os gastos públicos, que vai afetar também as unidades da federação. "Estamos trabalhando de uma maneira que o Brasil não pode parar, então, eu também não posso parar."

Críticas a Dilma
Durante o evento, o governador Beto Richa (PSDB) elogiou o governo Temer, que tem apoio de seu partido, e voltou a reclamar do relacionamento com a gestão petista. O governador ressaltou as duas reuniões que teve com o peemedebista em 45 dias de governo, em contraste aos imbróglios que tinha com o governo anterior, ao qual o PSDB fazia oposição.
"Um Estado que tanto contribui para a formação da economia nacional não merecia o tratamento desrespeitoso e discriminatório que recebia até então", disse o tucano à plateia que acompanhava a inauguração.
Segundo Beto, apesar de o Paraná ser a quarta economia do País, foi o antepenúltimo Estado a receber repasses legais do governo federal. Ele também recordou o embate para liberação de empréstimos federais, que foram retidos pela Secretaria do Tesouro Nacional sob o argumento de que Beto desrespeitava a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Os recursos do Proinveste, por exemplo, na quantia de R$ 800 mil, só foram liberados após o tucano recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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