Apesar da briga entre a base aliada que dá sustentação ao governo para definir os membros da Mesa Diretora da 51ª Legislatura da Câmara, o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), foi reconduzido ontem à presidência, com 422 votos favoráveis dos 492, 66 brancos e 2 nulos. Temer é o segundo pemedebista a ser reconduzido ao cargo por duas vezes consecutivas, sendo o primeiro Ulysses Guimarães, na década de 80.
No discurso de posse, Temer propôs que os parlamentares discutam o parlamentarismo nesta Legislatura - uma sugestão feita no dia anterior em Porto Alegre pelo ex-ministro da Justiça Paulo Brossard.
Temer também defendeu o estabelecimento de um ‘‘pacto definitivo’’ para que sejam construídas instituições sólidas e perenes no País. ‘‘Posso dizer que temos sido um País transitório, incapaz da definitividade’’, afirmou. ‘‘Construímos e desconstruímos, fazemos e desfazemos e a cada fazer e desfazer surge um novo País já preocupado, tão logo refeito, com o fazer de novo’’, disse Temer, conclamando os deputados a rever o pacto federativo e fazer as reformas política e tributária.
‘‘Vamos abandonar, em definitivo, a provisoriedade dos sistemas mencionados, tornando-os, o quanto possível, perenes’’, conclamou, desafiando os parlamentares a discutir temas como o voto distrital, a fidelidade partidária e ‘‘até mesmo’’ o sistema de governo, ‘‘se parlamentarista ou presidencialista’’ - na legislatura anterior, o projeto da reforma política foi arquivado.
Temer citou a agenda deste biênio em que estará na presidência da Mesa: discutir as reformas tributária e política e a revisão do pacto federativo. ‘‘Vamos abandonar a provisoriedade dos sistemas mencionados, tornando-os, enfim, perenes’’, prometeu.
Durante o dia, a disputa entre os partidos para as cadeiras na Mesa, cujos votos não estavam contados até as 19 horas de ontem, passou dos parlamentares para os ministros. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, indicado pelo PMDB, disparou contra a defesa do líder do PSDB, Aécio Neves (MG), em discutir a distribuição das chapas. ‘‘Aécio deveria ser indicado para ministro da Agricultura; é um bom matador.’’
A primeira pauta da nova Mesa deveria ser discutida ainda na noite de ontem. Seria definir a posse de três deputados: Talvave Albuquerque, Paulo Marinho e Remi Trinta - o primeiro acusado de mandante do assassinato da ex-deputada Ceci Cunha, o segundo de corrupção e o terceiro de racismo.
Outro item é a decisão de acatar ou não os pedidos de mais de 50 parlamentares para mudar de partido. Segundo a secretaria da Mesa, ‘‘dois ou três’’ pedidos chegavam a cada hora. Os pedidos devem ser estudados hoje.

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