Temer é eleito presidente do PMDB
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domingo, 09 de setembro de 2001
Agência Folha 
O deputado federal Michel Temer (SP) foi eleito ontem presidente do PMDB em mais uma tensa convenção nacional do partido, na qual houve golpes regimentais e muitos ataques verbais. O confronto físico das claques governista e itamarista só ocorreu entre os caciques da sigla, que trocaram empurrões e xingamentos.
Candidato da ala governista, ligada ao presidente Fernando Henrique Cardoso, Temer venceu com 411 votos contra 244 do senador Maguito Vilela (GO), seu concorrente e defensor da candidatura presidencial do governador de Minas, Itamar Franco. Houve 12 votos em branco e seis nulos. No total, foram registrados 673 votos.
Para efeito de cálculo da proporção que cada grupo terá no diretório nacional do partido, valem apenas os votos nas chapas total de 655. Com isso, a vantagem de Temer dá ao seu grupo 63%. Maguito ficou com 37%. A expressiva vitória dos governistas favorece FHC, mas o PMDB ainda manterá uma relação dúbia com o governo e o PSDB.
Apesar de ainda haver margem para uma aliança com os tucanos em 2002, o discurso público dos peemedebistas é de que terão candidato próprio a presidente da República no ano que vem, tese que recebeu ontem 542 votos. ''Sem candidato próprio, o PMDB perderá força congressual. Estamos preocupados com a disputa pelo Planalto, mas as presidências da Câmara e do Senado mais os governos estaduais serão fundamentais para a sobrevivência do partido'', disse Temer.
Nas próximas semanas, o PMDB vai dar início a um descolamento eleitoral do presidente, apesar de manter o apoio legislativo a um governo a que dá suporte há quase sete anos. O objetivo será testar o potencial de um candidato a presidente que possa fazer um discurso entre o PT e o governo. O senador Pedro Simon (RS) e o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, serão os nomes insuflados pela máquina e pelo horário político do partido.
A prévia para definir o postulante peemedebista foi motivo ''de um golpe baixo de Maguito'', segundo o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). A executiva do partido decidira fazer um consulta apenas sobre a possibilidade de prévia, marcando a data para 20 de janeiro.
Mas uma manobra de Maguito levou à impressão de duas cédulas. Uma ao molde da executiva, controlada pelos aliados de FHC, e outra com as opções de 20 de janeiro e de 21 de outubro. Venceu a opção de 20 de janeiro. O resultado foi de 357 contra 251 votos.
A discussão sobre as ''duas células'' deu início a um empurra-empurra no palanque. Dirigentes disputaram na mão a posse do microfone para uma acalorada discussão. Ney Moura Teles, advogado e suplente de deputado federal de Goiás, que negou depois ter levado um tapa, gritou: ''Eu fui agredido, segurança!'' A Folha presenciou pelo menos uma agressão a Teles. O deputado federal José Índio, defensor de Temer, deu um safanão no goiano para tirar-lhe o microfone das mãos.
A convenção nacional de ontem serviu apenas para eleger a nova direção do partido. Os outros itens aprovados como candidatura própria a presidente e prévias para a escolha do candidato podem ser revogados por outra convenção nacional.


