Agência Estado
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PromessaMichel Temer, Aécio Neves e Henrique Alves deixam gabinete de FHC: calendário de votações será cumpridoOs líderes governistas na Câmara voltaram a discutir ontem uma possível mudança no texto da reforma administrativa, que estipula em R$ 12.720 o teto salarial do funcionalismo. As dicussões foram retomadas para quebrar resistências na bancada de mais de 100 parlamentares que acumulam aposentadorias acima do teto. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), admitiu que os líderes ‘‘estudam alternativas’’, sem no entanto confirmar a adoção de um teto maior. Temer garantiu ao presidente Fernando Henrique Cardoso que vai encerrar a votação da reforma administrativa esta semana.
O calendário será cumprido, segundo Temer, mesmo que para isso tenha que segurar os deputados em Brasília e realizar sessão no fim de semana. A votação em segundo turno deve começar amanhã, numa sessão noturna extraordinária para contar prazo regimental. ‘‘Nós vamos trabalhar na quarta-feira (amanhã), quinta e se necessário na sexta e no sábado, mas vamos encerrar a reforma administrativa esta semana’’, sustentou Michel Temer. Parlamentares foram ‘‘aconselhados’’ a desistir de viagens ao exterior para que suas ausências não comprometam o quórum da base governista.
Segundo vice-presidente da Câmara, o deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) estava incorformado com o cancelamento de sua viagem de uma semana à Grécia. Depois de passar a sexta-feira em Brasília para garantir quórum na sessão que serviria para contar prazo para a reforma, mas não ocorreu, Cavalcanti embarcou no sábado à noite para a Grécia e levou mais de 24 horas para chegar à cidade de Tessalônica, onde acontece uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU). Lá, já havia um recado do ministro de Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, pedindo para que voltasse imediatamente.
Como Cavalcanti, o vice-presidente Heráclito Fortes (PFL-PI) e os deputados Pedro Corrêa (PPB-PE), Ary Magalhães (PPB-PI), Pauderney Avelino (PFL-AM), Nelson Otoch (PSDB-CE), Robson Tuma (PSL-SP) e Osvaldo Coelho (PFL-PE) também tiveram suas viagens à conferência da ONU canceladas. O esforço concentrado do governo para concluir a reforma administrativa também obrigou o ministro da Administração, Bresser Pereira, a desistir de uma viagem que faria a Portugal nesta semana.
Os líderes políticos aliados do governo estão apostando no apoio de 320 a 330 deputados à reforma. No primeiro turno, a emenda não conseguiu mais que um voto além dos 308 necessários para ser aprovada. ‘‘A grande preocupação do presidente Fernando Henrique é manter o quantitativo’’, afirmou Temer. ‘‘A aprovação da reforma agora seria uma sinalização muito forte de que o País continua, tanto aqui quanto no exterior’’, completou.
O presidente Michel Temer acabou facilitando o trabalho do governo ao determinar, numa atitude sem precedentes, que a redação final fosse decidida pela maioria simples do plenário. ‘‘O presidente violou o princípio de que são precisos 308 votos para se mudar o texto constitucional; é um gesto de violência flagrante à Constituição’’, criticou o vice-líder do PT, deputado Marcelo Deda (SE).

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